Entre a prosperidade e a dívida – Por que alguns colonos venceram e outros não

Quatro anos depois da chegada dos Fischer, um visitante encontrou uma Ibicaba surpreendente. Carlos Perret Gentil esteve na fazenda e publicou, em 1851, A Colônia Senador Vergueiro. Sua descrição era entusiasmada.

Encontrou famílias que considerou prósperas, casas com objetos que julgava superiores aos encontrados entre aldeões europeus relativamente abastados e colonos que, segundo ele, viviam com fartura. Chegou a defender que as dívidas poderiam ser quitadas em poucos anos.  Parecia a confirmação da promessa feita na Europa. Mas havia outro lado.

É preciso desconfiar de uma fonte excessivamente feliz

Perret Gentil é indispensável para conhecer os primeiros anos de Ibicaba. Mas não pode ser lido ingenuamente. Ele admirava o sistema de Vergueiro. Seu livro apresentou a experiência de maneira tão favorável que posteriormente foi utilizado para tornar a imigração ao Brasil atraente aos europeus. Outros observadores, entre eles Thomas Davatz e Johann Jakob von Tschudi, criticariam essa representação. 

Portanto, quando Gentil descreve prosperidade, devemos considerar duas coisas simultaneamente: provavelmente havia colonos realmente prósperos; mas sua obra tinha interesse em enfatizá-los. A realidade não era uniforme.

O sucesso era possível

Esse ponto é importante. Transformar todos os parceiros de Ibicaba em vítimas passivas seria tão incorreto quanto transformar todos em colonos prósperos. Algumas famílias conseguiram resultados econômicos positivos. A lógica permite entender por quê. Uma família numerosa, saudável e com vários adultos produtivos podia cuidar de mais cafeeiros. Uma boa colheita aumentava a receita.

Poucas despesas aceleravam a amortização. Produzir alimentos diminuía compras. Um ofício especializado podia gerar renda adicional. Uma boa relação com a administração podia abrir oportunidades. Em alguns casos, a dívida podia ser quitada. E, uma vez livre dela, surgia a possibilidade de deixar a fazenda e procurar oportunidades em Limeira, Rio Claro, Piracicaba ou outras localidades.

O fracasso também era possível

Bastava alterar algumas variáveis. Doença. Morte. Muitas crianças pequenas. Safra ruim. Endividamento elevado. Compras frequentes. Juros. Conflitos com a administração. Baixa produtividade. Tudo isso podia transformar poucos anos de dívida em um compromisso prolongado.

O sistema tinha ainda uma característica particularmente dura: pesquisas mostram que determinadas obrigações financeiras podiam continuar recaindo sobre a família quando o devedor morria. A promessa de recomeçar a vida podia, portanto, transformar-se em uma armadilha financeira.

O recrutamento também tinha falhas

Nem todos os europeus contratados eram agricultores experientes. O próprio Nicolau Vergueiro reconheceria posteriormente dificuldades de adaptação de parte dos imigrantes, e estudos apontam problemas no recrutamento, em que agentes tinham incentivos para reunir pessoas em quantidade, nem sempre selecionando trabalhadores adequados à agricultura tropical. 

Isso é especialmente interessante no caso de Martin. Ele era um Steinhauer. Não era, originalmente, um cafeicultor. Assim como ele, havia entre os imigrantes artesãos e pessoas com outros ofícios. Isso podia inicialmente ser uma desvantagem agrícola. Mas numa fazenda em expansão também podia transformar-se em oportunidade.

Construir para pagar a dívida

Os registros de Martin sugerem justamente isso. Sua habilidade profissional permitiu-lhe realizar trabalhos que não dependiam diretamente do café. Casas precisavam ser erguidas. Uma colônia com centenas de habitantes precisava crescer. Cada serviço adicional podia significar crédito. E cada crédito podia aproximá-lo da quitação.

Essa hipótese precisa ser demonstrada ano a ano pelos documentos contábeis, mas abre uma possibilidade fascinante: talvez Martin tenha conseguido enfrentar o sistema de parceria não apenas como agricultor, mas utilizando a profissão que aprendera em Flonheim.

Sua história individual mostra por que generalizações sobre os colonos são perigosas. Cada família possuía uma economia própria.

Os filhos aprendem mais rápido

Existe outro fator. A primeira geração precisava aprender tudo. Língua. Moeda. Agricultura. Regras. Geografia. Costumes. 

Os filhos tinham uma vantagem. Anton Fischer, especialmente, parece ter aprendido a circular nesse novo mundo. Com o tempo, aparece ligado à administração e à contabilidade. Isso representa uma mudança social importante.

A família que havia chegado como mão de obra contratada começava a ocupar posições diferentes dentro da estrutura local. Esse tipo de trajetória também ajuda a explicar por que alguns descendentes de colonos acabariam deixando as fazendas e estabelecendo-se como comerciantes, artesãos, proprietários ou empresários nas cidades do interior.

Há estudos especificamente dedicados à transformação de antigos colonos de Ibicaba em empresários em Piracicaba, mostrando que a experiência da parceria não necessariamente determinou permanentemente sua posição social. 

A saída de Ibicaba

Não sabemos exatamente quando Martin Fischer deixou a Fazenda Ibicaba. Nenhum documento localizado até o momento registra uma data precisa para sua saída, uma quitação final acompanhada de desligamento ou o lugar para onde se mudou imediatamente depois. Ainda assim, diferentes documentos permitem reconstruir parte dessa história e estabelecer uma hipótese bastante provável: Martin parece ter sido um dos colonos da primeira leva que conseguiu superar relativamente cedo as dívidas do sistema de parceria e deixar a fazenda em situação econômica favorável.

A trajetória começa em 1847. Quando chegou a Ibicaba com Katharina e os filhos, Martin não trazia apenas braços para trabalhar no café. Trazia consigo uma profissão: era Steinhauer, trabalhador especializado em pedra e construção. Essa habilidade parece ter adquirido importância rapidamente numa colônia que precisava erguer moradias para centenas de recém-chegados.

Os documentos contábeis preservados dos primeiros anos mostram Martin não apenas como parceiro agrícola, mas também recebendo valores por trabalhos relacionados à construção de casas. Esse detalhe é fundamental para compreender o que pode ter acontecido posteriormente. Enquanto a renda de muitos parceiros dependia quase exclusivamente do resultado das colheitas, Martin possuía uma segunda fonte de recursos.

Durante o dia, a família podia trabalhar nos cafezais e nas culturas de subsistência. Paralelamente, Martin conseguia aproveitar o ofício que trouxera da Alemanha para obter créditos adicionais. Em um sistema no qual o principal objetivo econômico do colono era reduzir a dívida contraída com a Vergueiro & Companhia, qualquer renda extra fazia diferença.

Uma família com muitos braços

Outro elemento provavelmente favorecia os Fischer. Martin e Katharina chegaram ao Brasil com vários filhos, alguns deles já adolescentes ou jovens adultos. No sistema de parceria, isso representava uma vantagem econômica importante. A família constituía uma unidade produtiva, e a quantidade de trabalho que conseguia realizar dependia diretamente do número de braços disponíveis.

Anton, o filho mais velho, já tinha cerca de 24 anos quando chegou ao Brasil. Outros filhos também estavam entrando ou já haviam entrado em idade produtiva. Assim, os Fischer reuniam duas características potencialmente favoráveis: uma família numerosa e uma profissão especializada capaz de gerar renda adicional.

Isso não prova, isoladamente, que tenham enriquecido. Mas ajuda a explicar por que poderiam ter reduzido a dívida mais rapidamente do que famílias menores, com crianças pequenas ou dependentes exclusivamente do café.

1848: Martin parece satisfeito

Há ainda uma pista particularmente interessante. Fontes sobre os pioneiros de Ibicaba mencionam Martin Fischer entre os colonos que teriam escrito para a Alemanha em 1848, descrevendo favoravelmente a experiência na fazenda. A carta original ainda não foi localizada, portanto seu conteúdo precisa ser tratado com cautela. A referência, entretanto, é relevante porque sugere que, aproximadamente um ano depois da chegada, a situação da família não parecia ser necessariamente negativa. 

É também importante considerar que correspondências favoráveis podiam ser utilizadas pela própria empresa colonizadora como propaganda para atrair novos trabalhadores. Por isso, enquanto não encontrarmos a carta original, não é possível saber quanto havia de manifestação espontânea de Martin e quanto poderia ter sido mediado pelo interesse de Vergueiro. Ainda assim, a referência existe e precisa fazer parte da história.

Por volta de 1850, alguma coisa parece mudar

É no início da década de 1850 que os indícios começam a apontar para uma transformação na situação da família. Anton Fischer, que havia chegado como filho de um parceiro, passa a aparecer associado à estrutura administrativa de Ibicaba.

José Sebastião Witter, ao estudar a documentação da fazenda, situa os diretores de origem alemã João Adolfo Jonas e Anton Fischer no exercício do poder administrativo em Ibicaba no período posterior a 1850. Um estudo baseado, entre outras fontes, no Livro Mestre da colônia também afirma que Jonas e Anton Fischer exerceram a direção entre aproximadamente 1850 e 1867. É uma mudança social considerável.

Em 1847, Anton chegara como integrante de uma família endividada perante a companhia. Poucos anos depois, estava do outro lado da contabilidade. A ascensão de Anton pode ser mais um sinal de que a situação econômica e social dos Fischer havia melhorado rapidamente.

Mas existe uma distinção fundamental: a permanência de Anton na administração não significa necessariamente que Martin e o restante da família continuassem morando como parceiros em Ibicaba. Ao contrário, é perfeitamente possível que as trajetórias tenham se separado.

Martin pode ter saído enquanto Anton ficou

Essa talvez seja atualmente a hipótese que melhor concilia os documentos. Depois de alguns anos de trabalho, Martin e Katharina teriam conseguido reduzir ou quitar seus compromissos e deixado a condição de parceiros. Anton, entretanto, permaneceu em Ibicaba porque havia encontrado ali uma oportunidade profissional muito diferente da agricultura: a administração da colônia.

Pai e filho, portanto, podem ter seguido caminhos distintos. Martin deixava o sistema. Anton passava a administrá-lo. É uma possibilidade particularmente interessante porque explica por que encontramos Anton durante tantos anos nos registros administrativos de Ibicaba sem que isso obrigue a concluir que toda a família continuasse vinculada à fazenda.

Ascensão de Anton Fischer
Ascensão de Anton Fischer

Um documento de 1857 fornece a pista mais importante

A evidência mais forte aparece alguns anos depois. Uma relação encaminhada pelo senador Vergueiro e posteriormente reproduzida em estudos sobre a Revolta dos Parceiros menciona Martin Fischer entre os colonos que já haviam deixado Ibicaba com recursos e possuíam propriedade. 

Esse registro é extremamente importante. Ele estabelece um limite cronológico seguro: em 1857, Martin já havia deixado a condição de colono de Ibicaba. Mais do que isso, a maneira como aparece na relação sugere que não havia saído simplesmente fugindo da dívida ou abandonando o contrato. Martin era apresentado como exemplo de colono que deixara a fazenda com dinheiro e propriedade.

Precisamos naturalmente considerar a origem dessa informação. Vergueiro tinha interesse, especialmente depois da Revolta dos Parceiros, em demonstrar que seu sistema permitia aos imigrantes prosperar. Portanto, uma relação preparada por ele não deve ser tomada como uma avaliação imparcial. Mas isso não elimina seu valor documental.

O nome de Martin aparece associado a uma condição concreta: já não estava em Ibicaba e era apresentado como economicamente estabelecido.

Colonos que deixaram a colônia 1857
Colonos que deixaram a colônia 1857

Teria saído já em 1850?

Aqui começa a hipótese. É possível que a saída tenha ocorrido consideravelmente antes de 1857. A ascensão de Anton na administração a partir do início da década de 1850 é um indício. Outro elemento que precisa ser explorado são os próprios documentos contábeis de Martin.

Se possuímos contas de 1847, 1848 e 1849, mas seu nome desaparece posteriormente da sequência documental enquanto outros colonos continuam registrados, essa ausência pode ser significativa.

Sozinha, ela não prova a saída. Um livro pode ter se perdido. Um registro pode estar em outra seção. Uma conta pode ter sido transferida. Mas, combinada com as demais evidências, a ausência ganha importância. Por isso, a pergunta documental decisiva passa a ser: qual é a última conta conhecida de Martin Fischer como parceiro de Ibicaba?

Se o último lançamento estiver em 1849 ou 1850 e os Livros Mestres seguintes realmente não contiverem mais sua conta, teremos uma evidência bastante forte de que sua saída ocorreu aproximadamente nesse período.

Piracicaba surge no horizonte

Há ainda uma pista geográfica. A família começa a aparecer documentalmente na região de Piracicaba, então chamada Constituição. Em 5 de setembro de 1850, nasceu ali Martinho Fischer, filho de Anton Fischer e Elizabeth Barth. Um mês depois, em 5 de outubro, o menino foi batizado na Matriz de Santo Antônio. Os padrinhos foram justamente Martin Fischer e Catharina Fischer, seus avós paternos. Esse registro é particularmente interessante.

Ele comprova que Martin e Katharina estavam presentes — ou ao menos suficientemente integrados à vida religiosa e familiar de Constituição/Piracicaba — em outubro de 1850. Mas precisamos evitar um salto lógico.

Ser padrinho em Piracicaba não prova que Martin já morasse ali. Ibicaba e Constituição estavam ligadas por caminhos regionais, e ele poderia ter se deslocado para o batismo do neto. Ainda assim, quando colocamos essa informação ao lado do possível desaparecimento de suas contas em Ibicaba e da ascensão administrativa de Anton, começa a surgir um cenário coerente.

A reconstrução mais provável

Portanto, com as evidências atualmente disponíveis, podemos estabelecer três níveis diferentes de certeza.

O que sabemos: Martin chegou a Ibicaba em 1847; trabalhou no sistema de parceria; os registros contábeis mostram também remuneração por trabalhos de construção; estava ligado à família em Piracicaba em 1850; e, em uma relação de 1857, aparece entre aqueles que já haviam deixado Ibicaba com recursos e propriedade. 

O que os indícios sugerem: sua situação econômica melhorou relativamente rápido; a renda proveniente de seu ofício e a força de trabalho de sua numerosa família podem ter acelerado a quitação da dívida; e sua saída provavelmente ocorreu antes de 1857.

O que ainda é hipótese: Martin pode ter deixado Ibicaba já por volta de 1850 ou nos primeiros anos daquela década, possivelmente estabelecendo-se na região de Piracicaba, enquanto Anton permaneceu na fazenda e ascendeu dentro da administração.

É, atualmente, a reconstrução que melhor concilia as fontes.

De parceiro a homem livre de sua dívida

Se essa hipótese estiver correta, a permanência de Martin Fischer como parceiro em Ibicaba pode ter sido relativamente curta. Talvez apenas três, quatro ou poucos anos. É uma perspectiva bastante diferente daquela que normalmente associamos aos colonos endividados do sistema de parceria. Martin parece ter encontrado uma maneira de utilizar aquilo que já sabia fazer.

O homem que deixara Flonheim como Steinhauer não dependera apenas daquilo que precisou aprender no Brasil. Seu antigo ofício provavelmente lhe permitiu ganhar dinheiro numa colônia que precisava desesperadamente construir.

A numerosa família oferecia braços para o café. Martin oferecia também uma especialização. Anton, por sua vez, encontrava espaço na administração. Cada membro começava a encontrar seu próprio caminho.

Em algum momento ainda desconhecido do início daquela década, Martin pode ter feito algo que, poucos anos antes, parecia extremamente distante: acertado suas contas, reunido seus pertences e deixado Ibicaba não como emigrante recém-chegado, mas como um homem estabelecido no Brasil.

Não sabemos ainda o dia em que isso aconteceu. Não sabemos quanto dinheiro levava. Nem identificamos definitivamente a propriedade mencionada em 1857. Mas sabemos que, dez anos depois de sua chegada, Martin já não era apresentado como parceiro endividado de Vergueiro. Era citado como um dos colonos que haviam saído da fazenda com recursos e propriedade.

Para alguém que, em 1847, desembarcara em Santos carregando uma dívida e a esperança de começar novamente, essa transformação é talvez uma das evidências mais importantes de que, pelo menos para Martin Fischer, a primeira etapa do projeto migratório havia funcionado.

Ibicaba muda

Enquanto algumas famílias melhoravam de vida, novas levas chegavam. A população crescia. A estrutura administrativa tornava-se mais complexa. O sistema de parceria espalhava-se.

Entre 1847 e 1857, formas semelhantes de contrato passaram a ser empregadas em dezenas de grandes propriedades do Oeste Paulista. Ibicaba transformara-se em laboratório.

E justamente por isso seus problemas também ganhariam repercussão internacional. Na década de 1850, acusações de contas injustas, restrições, endividamento e abusos tornaram-se mais frequentes. Em 1856, a tensão explodiria na famosa Revolta dos Parceiros, associada sobretudo à liderança de Thomas Davatz.

A experiência que havia sido apresentada como modelo passaria a ser denunciada na Europa como exemplo dos perigos da emigração para as fazendas brasileiras.

A Revolta dos Parceiros

Tomás Davatz
Tomás Davatz

Também chamada de Revolta de Ibicaba, foi um movimento de contestação dos imigrantes europeus que trabalhavam pelo sistema de parceria na Fazenda Ibicaba. O episódio começou no fim de 1856, atingiu seu momento mais tenso em 24 de dezembro daquele ano e teve desdobramentos até o início de 1857. 

O principal líder foi o suíço Thomas Davatz, mestre-escola e colono de Ibicaba. Ele havia sido encarregado por emigrantes suíços de relatar às autoridades de seu país as condições encontradas no Brasil. Com o tempo, tornou-se porta-voz das reclamações dos parceiros, sobretudo contra a falta de transparência nas contas, os preços cobrados pelos mantimentos, critérios de pesagem e venda do café, juros e despesas lançadas nas contas e a dificuldade de muitas famílias para quitar as dívidas contraídas com a fazenda. 

Em dezembro de 1856, Davatz e outros colonos prepararam uma lista de reivindicações. Cerca de 85 colonos assinaram o documento, e Davatz pretendia que o Consulado Suíço promovesse uma investigação independente sobre o cumprimento dos contratos de parceria. Os participantes eram principalmente imigrantes de língua alemã — sobretudo suíços e também trabalhadores originários da Turíngia e de outras regiões germânicas. 

O momento decisivo ocorreu na véspera de Natal, 24 de dezembro de 1856. Nicolau Vergueiro chamou Davatz para uma reunião na casa-grande. Estavam presentes, entre outros, o próprio Vergueiro, seu filho Luís, integrantes da administração da fazenda como Adolph Jonas, o professor Alscher e o médico da colônia Dr. Gattiker. A discussão girou em torno das acusações feitas pelos colonos e da possibilidade de uma investigação externa. 

Enquanto Davatz estava dentro da casa, colonos que aguardavam do lado de fora acreditaram que ele poderia estar sendo ameaçado ou preso. Um mensageiro correu até a colônia e pediu ajuda. Em pouco tempo, homens e mulheres dirigiram-se à sede levando espingardas, pistolas, foices, ancinhos, cacetes e outras ferramentas de trabalho. Dois tiros chegaram a ser disparados, mas não houve uma batalha aberta nem um massacre. 

A situação foi controlada nos dias seguintes. A pequena força policial de Limeira não era suficiente, e houve mobilização da Guarda Nacional, além da intervenção de representantes e autoridades ligados aos suíços. O levante armado terminou sem uma grande confrontação militar, mas as reivindicações não desapareceram imediatamente; os colonos continuaram contestando aspectos do sistema e alguns permaneceram armados por algum tempo. 

A Revolta dos Parceiros não acabou com Ibicaba naquele momento, mas teve consequências profundas. As denúncias de Davatz chegaram à Europa e, depois de seu retorno à Suíça, ele publicou em 1858 um livro relatando as condições dos colonos. A repercussão contribuiu para desacreditar o sistema de parceria brasileiro em diversos países europeus e dificultou o recrutamento de novos trabalhadores para fazendas paulistas. 

A revolta mostrou que o problema não era necessariamente a imigração ou o trabalho livre em si, mas a enorme desigualdade de poder existente no sistema de parceria — especialmente em torno das dívidas, da contabilidade e da capacidade dos colonos de fazer valer o contrato diante dos proprietários. Ela se tornou um dos episódios mais emblemáticos da transição brasileira entre o trabalho escravizado e novas formas de trabalho livre. 

Mas os Fischer pertenciam a uma geração anterior

Quando Davatz chegou, os Fischer já tinham anos de experiência no país. Conheciam a língua melhor. Conheciam a região. Possuíam relações. Alguns já haviam construído novos caminhos.

Na ocasião da Revolta dos Parceiros, Martin Fischer, sua esposa e filhos já haviam quitado a dívida da família e deixado a fazenda Ibicaba. Tal fato teria ocorrido por volta de 1850/51.

Por outro lado, Anton Fischer, filho mais velho de Martin, havia deixado de ser um colono para fazer parte da administração da colônia Vergueiro.

A grande questão para eles deixava progressivamente de ser: “Conseguiremos sobreviver em Ibicaba?”

E passava a ser: “Existe uma vida possível fora de Ibicaba?”

Anton Fischer: de colono a administrador

Enquanto Martin Fischer parece ter deixado Ibicaba depois de conseguir superar as obrigações financeiras contraídas com a imigração, seu filho mais velho seguiu um caminho diferente. Anton Fischer permaneceu ligado à fazenda.

Quando desembarcou no Brasil em 1847, tinha aproximadamente 24 anos. Chegara como integrante de uma família de parceiros. Poucos anos depois, porém, seu nome começava a aparecer associado à administração da mesma colônia em que sua família havia iniciado a vida brasileira.

A documentação permite acompanhar parcialmente essa ascensão. Em meados da década de 1850, João Adolfo Jonas ocupava a direção da Colônia Senador Vergueiro. Um relatório elaborado por ele em 1855, enviado pelo senador Vergueiro ao presidente da Província de São Paulo, demonstra a importância de Jonas na administração e no acompanhamento das famílias de imigrantes. 

Anton Fischer parece ter crescido profissionalmente dentro dessa estrutura. Na época da Revolta dos Parceiros, em 1856, referências posteriores colocam Jonas e Fischer conjuntamente na direção da colônia, com Jonas ocupando a posição principal e Fischer associado à vice-direção. Estudos sobre Ibicaba afirmam que os dois diretores de origem alemã exerceram poder sobre a colônia durante boa parte do período compreendido de 1847 a 1857 Adolf Jonas e de 1857 a 1871 Anton Fischer. 

Não foi localizado, até o momento, um documento que estabeleça a data exata da nomeação de Anton ou que o identifique formalmente como “assistente de Jonas”. A sequência documental, entretanto, permite considerar bastante plausível que tenha iniciado sua trajetória administrativa em posição subordinada ou auxiliar e adquirido responsabilidades progressivamente.

Os livros de contabilidade fornecem uma evidência ainda mais importante. Durante a década de 1860, o nome e a assinatura de Anton Fischer aparecem repetidamente associados às contas dos colonos de Ibicaba entre 1862 e 1870. Os Livros Mestres registram sua atuação em exercícios sucessivos, demonstrando que o antigo imigrante participava diretamente da administração econômica da propriedade. 

Assinatura Anton Fischer
Assinatura Anton Fischer

Assim, em aproximadamente quinze anos, sua trajetória havia sofrido uma transformação extraordinária: em 1847, Anton chegara a Ibicaba como filho de um colono endividado; na década de 1860, era um dos homens responsáveis por administrar as contas de outros colonos.

Essa ascensão, entretanto, trouxe também conflitos. O viajante suíço Johann Jakob von Tschudi registrou duras acusações contra um diretor de sobrenome Fischer, retratado pelos colonos como autoritário e brutal. A historiografia sobre Ibicaba associa esse administrador a Anton Fischer. 

A acusação deve ser apresentada como aquilo que é: o testemunho crítico de Tschudi baseado nas reclamações que recolheu, e não como uma descrição neutra e definitivamente comprovada da personalidade de Anton.

Ainda assim, ela revela uma transformação social particularmente significativa. Anton havia conhecido Ibicaba primeiro como imigrante. Depois tornou-se parte de sua administração. De parceiro, passou a integrar a estrutura de poder da fazenda.

O preço de uma nova vida – Dinheiro, dívida e as regras do sistema de parceria na colônia Ibicaba

A promessa parecia simples. O fazendeiro financiaria a viagem. O imigrante trabalharia. A produção seria dividida. A dívida seria paga. E, depois de alguns anos, a família poderia construir uma vida independente. Esse era o princípio do sistema de parceria. Na prática, porém, tudo dependia de uma palavra: conta.

O contrato

A relação entre Vergueiro & Companhia e os imigrantes começava antes mesmo de eles pisarem no Brasil. Os contratos eram firmados na Europa. A companhia financiava a passagem marítima até Santos e o transporte do porto até a fazenda. Ao chegar a Ibicaba, cada família deveria receber casa e uma quantidade de cafeeiros compatível com sua capacidade de trabalho. Não se tratava de uma doação. Tratava-se de um adiantamento. A família começava a nova vida devendo.

A conta começa antes do trabalho

Esse é um ponto fundamental para compreender todo o sistema. Martin Fischer não precisou esperar comprar alguma coisa em Ibicaba para tornar-se devedor. O próprio processo migratório produzia a dívida. Passagens. Transporte. Instalação. Adiantamentos. Mantimentos. Outras despesas.

Os valores financiados pela companhia deveriam ser restituídos com juros, normalmente fixados em 6% ao ano, embora pesquisas tenham identificado casos de cobranças superiores, chegando a 12%. 

Assim, quando Martin olhou pela primeira vez para seus cafeeiros, eles representavam duas coisas simultaneamente: uma oportunidade de renda; e o meio pelo qual deveria pagar aquilo que devia.

Como funcionava a parceria

A família cuidava de determinado número de cafeeiros. Cultivava. Colhia. Participava do beneficiamento conforme as regras estabelecidas. O café era comercializado. O resultado era dividido.

Em linhas gerais: 50% para o proprietário. 50% para o parceiro. À primeira vista, parecia uma divisão clara. Mas o valor recebido pelo colono não correspondia simplesmente a metade do café produzido.

Havia despesas. Havia juros. Havia adiantamentos. Havia compras. E havia o problema de quem controlava a contabilidade.

Não era salário

Martin não era empregado assalariado no sentido moderno. Não recebia um valor fixo por mês pela manutenção dos cafezais. Sua remuneração estava ligada ao resultado da produção.

Isso transferia parte do risco para o próprio trabalhador. Uma colheita boa podia acelerar o pagamento da dívida. Uma colheita ruim fazia o contrário. Doença podia diminuir a capacidade de trabalho. A presença de filhos maiores podia aumentá-la. Os preços do café também influenciavam.

Portanto, duas famílias chegadas no mesmo navio e instaladas na mesma fazenda podiam apresentar resultados econômicos completamente diferentes depois de alguns anos.

A roça de mantimentos

O contrato permitia ainda o cultivo de alimentos. Essas roças tinham enorme importância porque reduziam a necessidade de comprar tudo na venda. Milho, feijão e outros gêneros podiam alimentar a família.

Eventuais excedentes podiam ser comercializados, embora as regras relativas à divisão dos resultados variassem e, segundo Sérgio Buarque de Holanda, alguns proprietários chegaram a abrir mão da parte que lhes caberia na venda dos excedentes alimentares. A capacidade de administrar a pequena economia doméstica era, portanto, quase tão importante quanto trabalhar bem no cafezal.

A dívida como instrumento de permanência

O sistema tinha uma lógica empresarial evidente. Vergueiro investia dinheiro para trazer trabalhadores da Europa. Era necessário garantir que esses trabalhadores permanecessem tempo suficiente na fazenda para compensar o investimento. A dívida desempenhava exatamente essa função.

Estudo recente de história econômica define a experiência de Ibicaba como uma forma de parceria associada a obrigações de crédito. A duração efetiva da dependência estava ligada à capacidade da família de quitar aquilo que devia. 

O contrato, portanto, ligava economicamente o colono à propriedade. Era livre. Mas não completamente livre para simplesmente abandonar seus compromissos financeiros. Essa ambiguidade estaria no centro dos conflitos futuros.

Direitos e obrigações

Pelos padrões atuais, seria errado chamar essa relação de emprego convencional. Não havia legislação trabalhista como conhecemos. Não existiam salário mínimo, férias remuneradas, jornada legal de oito horas, décimo terceiro salário, FGTS ou previdência social.

A relação era essencialmente contratual. Ao colono cabia trabalhar os cafeeiros recebidos, cumprir determinadas obrigações, conservar sua moradia e quitar os débitos. Ao fazendeiro cabia fornecer as condições previstas, financiar o deslocamento, disponibilizar casa e cafeeiros e repartir o resultado conforme o acordo.

Disputas deveriam, em princípio, ser resolvidas por árbitros. O problema surgia quando as duas partes discordavam sobre o cumprimento dessas regras. E, sobretudo, quando uma delas possuía muito mais poder econômico, político e social do que a outra.

O poder de quem escreve os números

Imagine uma família alemã. Ela não domina o português. Não conhece profundamente o sistema monetário brasileiro. Não controla a venda internacional do café. Não determina o preço pelo qual sua produção será comercializada. E recebe uma conta preparada pela administração.

Essa assimetria ajuda a explicar por que a contabilidade acabaria tornando-se uma das maiores fontes de tensão. Pesquisas recentes sobre os registros de Ibicaba mostram como mecanismos de crédito, compras e registros contábeis podiam aprofundar a dependência dos colonos. 

Para compreender a experiência de uma família, portanto, não basta saber quanto ela produziu. É necessário reconstruir créditos e débitos.

E é justamente aí que Martin volta a aparecer

Por uma rara circunstância documental, sobreviveram registros contábeis referentes a Martin Fischer nos primeiros anos em Ibicaba. Essas folhas aparentemente frias — números, valores, créditos, débitos — são, na verdade, uma janela extraordinária para sua vida. Elas mostram que sua economia não se limitava necessariamente ao café. Há valores relacionados a trabalhos de construção.

Isso modifica nossa interpretação. Martin podia gerar receita utilizando o ofício que trouxera da Alemanha. O Steinhauer não desapareceu quando surgiu o colono. As duas identidades coexistiram. Agricultor quando necessário. Trabalhador especializado quando havia oportunidade. Pai de uma família numerosa. Devedor da companhia. E, gradualmente, alguém tentando produzir um saldo positivo.

Por isso as contas de Martin merecem ser lidas quase como um diário. Elas talvez não digam o que ele sentiu. Mas dizem algo igualmente raro: como ele tentou sobreviver.

Contabilidade Martin Fischer 1848
Contabilidade Martin Fischer 1848

A vida na Colônia Vergueiro em Ibicaba

Trabalho, família, religião e cotidiano

Depois das primeiras semanas, o extraordinário começou a tornar-se cotidiano. O navio já era lembrança. Santos ficara distante. A longa estrada desaparecera atrás deles. O que agora determinava o tempo era a lavoura. E o café possui seu próprio calendário.

O amanhecer em Ibicaba

A vida começava cedo. Antes que o calor aumentasse, homens e mulheres já precisavam preparar-se para as atividades do dia. Não havia uma única tarefa. O cafezal exigia cuidados durante todo o ano. Era preciso limpar o terreno, retirar plantas invasoras, conservar os cafeeiros e preparar a área para a colheita.

Quando chegava a época dos frutos maduros, o ritmo se intensificava. A colheita precisava aproveitar o momento correto. Depois vinha o transporte. A secagem. A preparação.

Paralelamente, existiam as roças de mantimentos. O sistema de parceria estabelecia que cada família recebesse a quantidade de cafeeiros que fosse capaz de cultivar, colher e beneficiar, além de terras para plantar alimentos. Isso fazia da família uma pequena empresa agrícola dentro de uma enorme fazenda.

A Fazenda Ibicaba
A Fazenda Ibicaba

Todos trabalhavam

A divisão do trabalho não seguia o modelo contemporâneo de um homem empregado enquanto mulher e filhos permaneciam economicamente fora da atividade. A força de trabalho familiar era justamente uma das bases do sistema.

Homens realizavam os trabalhos mais pesados. Mulheres cuidavam da casa, preparavam alimentos, lavavam roupas, cuidavam das crianças menores e também podiam participar das atividades agrícolas, principalmente nos períodos de maior necessidade de braços. Filhos, à medida que cresciam, entravam progressivamente no trabalho. Isso explica por que o tamanho e a composição etária da família tinham consequências econômicas. Uma família numerosa podia receber mais cafeeiros. Mas também tinha mais bocas para alimentar. O equilíbrio entre braços e dependentes era decisivo.

Trabalhores em Ibicaba
Trabalhores em Ibicaba

O almoço de um colono

A alimentação certamente mudou desde os primeiros meses. Alguns hábitos europeus permaneceram, sempre que os ingredientes permitiam. Mas a mesa começou a incorporar alimentos brasileiros. Milho. Feijão. Mandioca. Carne salgada. Verduras e legumes cultivados nas próprias roças.

O pão europeu não desapareceu necessariamente, mas produzir trigo no interior paulista era outra realidade. A farinha de milho e a mandioca ganharam espaço. Podemos imaginar nesse processo algo que aconteceria repetidamente na história dos descendentes de imigrantes: a tradição não desaparecia; adaptava-se.

Uma receita mudava. Um ingrediente era substituído. Uma palavra portuguesa entrava no vocabulário alemão da casa. Uma criança nascida no Brasil crescia ouvindo dois universos culturais ao mesmo tempo.

A venda

Nem tudo podia ser produzido. Os colonos precisavam adquirir diversos produtos, e a venda da fazenda desempenhava papel importante nesse abastecimento. Esse mecanismo, aparentemente simples, acabaria tornando-se uma das questões mais controversas do sistema de parceria.

Comprar significava contrair despesas. Despesas eram anotadas. E as contas importavam enormemente para famílias que já haviam chegado endividadas. Estudos posteriores identificaram que a dependência da venda e as dificuldades de acesso ao comércio externo contribuíram para reclamações contra a administração. 

Nos primeiros anos, porém, cada compra já possuía uma dimensão que ultrapassava o consumo. Era contabilidade.

Contabilidade Martin Fischer Ibicaba 1847
Contabilidade Martin Fischer Ibicaba 1847

Uma comunidade que falava alemão

Dentro da colônia, o choque linguístico era amenizado pela convivência entre os próprios imigrantes. Havia renanos, prussianos, bávaros e pessoas provenientes de outras regiões de língua germânica. Não falavam necessariamente o mesmo dialeto, mas possuíam uma base linguística que os aproximava.

A colônia tornou-se um refúgio cultural. Depois de passar o dia ouvindo português de administradores e trabalhadores brasileiros, era possível voltar para casa e conversar na língua da infância.

As famílias visitavam-se. Trocavam informações. Ajudavam-se. Crianças conviviam. Jovens cresciam juntos. E isso teria consequências genealógicas profundas algumas décadas depois.

Os companheiros de viagem transformavam-se em vizinhos. Os vizinhos transformavam-se em compadres. Os filhos dos vizinhos acabariam se casando.

Domingos e dias santos

O domingo quebrava parcialmente o ritmo da lavoura. Era momento de descanso, encontros e práticas religiosas. Mas religião era uma questão complexa para os imigrantes germânicos. O Brasil imperial possuía o catolicismo como religião oficial. Outras religiões eram toleradas sob determinadas limitações legais.

Entre os imigrantes havia católicos e protestantes. Os protestantes precisavam preservar suas práticas em condições muito diferentes das existentes na Alemanha.

Casamentos não católicos, em particular, encontravam problemas jurídicos. Um documento de Nicolau Vergueiro posteriormente registrou uniões entre alemães e brasileiros que não eram reconhecidas pelo ordenamento vigente justamente por não terem seguido os ritos da Igreja Católica. 

A religião, portanto, não era apenas fé. Era também documentação. Um batismo dizia quem eram os pais. Os padrinhos revelavam relações de confiança. Um casamento estabelecia legalmente uma família. E, para nós, quase dois séculos depois, esses registros permitem reconstruir a comunidade.

A autoridade estava próxima

Ibicaba era propriedade privada. Isso determinava grande parte das relações sociais. A administração controlava o trabalho, as contas, os cafezais e muitos aspectos do cotidiano. Havia administradores, inspetores, feitores, empregados da contabilidade e pessoas responsáveis por intermediar a comunicação com os colonos.

A distância entre proprietário e trabalhador era enorme, mesmo quando ambos viviam dentro da mesma fazenda. Com o tempo, as regras de controle tornaram-se motivo de fortes reclamações. Fontes posteriores mostram necessidade de autorização para determinados deslocamentos e um grau significativo de vigilância sobre a vida dos parceiros. 

É necessário cautela, porém: essas descrições são particularmente bem documentadas para a década de 1850 e não podem ser automaticamente projetadas, sem ressalvas, sobre cada dia de 1847. Ainda assim, revelam a estrutura de poder que se consolidava.

Uma transformação dentro da própria família

Os Fischer não permaneceriam apenas trabalhadores agrícolas. Anton Fischer, filho de Martin, aparece posteriormente ligado à administração e à contabilidade de Ibicaba. Essa informação é especialmente significativa.

A família chegara endividada como parte de uma leva de trabalhadores contratados. Poucos anos depois, um de seus membros passava a ocupar posição dentro da estrutura administrativa da própria fazenda.

Anton provavelmente possuía características valorizadas pela administração: domínio do alemão, conhecimento crescente do português, familiaridade com a comunidade imigrante e capacidade de lidar com registros e contas.

Para uma colônia formada por centenas de germânicos, alguém capaz de transitar entre os dois mundos era extremamente útil. O filho do imigrante começava a tornar-se intermediário. Era um primeiro sinal de mobilidade social.

Ascensão de Anton Fischer
Ascensão de Anton Fischer

As noites

Depois do trabalho, Ibicaba escurecia. Não havia eletricidade. A iluminação doméstica era limitada. As noites eram marcadas por lamparinas, velas e pelo silêncio do campo interrompido por animais e conversas entre vizinhos.

Era provavelmente nesse momento que a Alemanha reaparecia com mais força. Histórias. Canções. Orações. Lembranças. Talvez cartas fossem escritas para parentes que haviam ficado para trás.

Crianças pequenas ouviam falar de lugares que nunca conheceriam. Flonheim começava lentamente a transformar-se de lugar vivido em lugar contado. Para os filhos nascidos no Brasil, a Alemanha seria progressivamente uma memória herdada. Ibicaba, ao contrário, era o presente.

Uma nova vida em Ibicaba

Os primeiros dias e a adaptação à nova terra

Em 16 de junho de 1847, depois de uma jornada que começara muitos meses antes em pequenas localidades dos territórios germânicos, atravessara parte da Europa, alcançara Hamburgo, vencera o Atlântico e continuara pelas difíceis estradas da Província de São Paulo, a viagem finalmente terminava.

Diante dos imigrantes estava a Fazenda Ibicaba. Para Martin Fischer, Katharina e seus filhos, aquele momento representava muito mais do que a chegada a uma propriedade rural. Era a chegada ao lugar em torno do qual haviam sido construídas todas as expectativas da emigração.

Ali trabalhariam. Ali viveriam. Ali teriam de pagar as dívidas contraídas para chegar ao Brasil. E ali começaria efetivamente a história brasileira da família.

Os Fischer faziam parte da grande leva germânica contratada pela Vergueiro & Companhia. Estudos recentes identificam 64 famílias, majoritariamente prussianas, bávaras e renanas, incorporadas à Colônia Senador Vergueiro em 1847. Na fazenda encontraram ainda sete famílias portuguesas remanescentes de uma experiência anterior e uma realidade que provavelmente lhes causou forte impressão: Ibicaba possuía também 215 pessoas escravizadas.

Duas formas de trabalho passariam, portanto, a coexistir dentro da mesma propriedade: a escravidão e a parceria com trabalhadores europeus livres. Era uma experiência social e econômica ainda em construção.

Uma fazenda dentro da fazenda

É importante abandonar a imagem de que os imigrantes simplesmente chegaram à sede de Ibicaba e receberam casas ao redor da residência de Nicolau Vergueiro. A organização espacial era diferente. A colônia germânica constituía praticamente uma pequena povoação dentro da propriedade, separada do núcleo principal da fazenda.

Carlos Perret Gentil visitou Ibicaba poucos anos depois e deixou uma descrição extraordinariamente detalhada. Em 1851, informou que a aldeia dos colonos ficava aproximadamente um quarto de légua distante da sede, sobre uma pequena elevação na encosta do Morro Azul, cercada por cafezais. Naquele momento havia 39 casas construídas segundo um mesmo padrão e distribuídas em ruas retas. No centro havia um grande espaço reservado a um edifício público e um chafariz. 

Mas aquela era Ibicaba quatro anos depois da chegada dos Fischer. Em junho de 1847, a situação era muito mais rudimentar. As fontes indicam que as primeiras famílias receberam pequenas casas sem divisões internas. Cabia aos próprios moradores subdividir, mobiliar e conservar essas habitações. A colônia foi progressivamente tomando a forma de uma pequena vila. Isso ajuda a imaginar o primeiro impacto.

Casa de colonos em Ibicaba
Casa de colonos em Ibicaba

Depois de Flonheim, das cidades europeias, de Hamburgo, do navio, de Santos e das estradas paulistas, a família entrava numa casa extremamente simples no interior do Brasil. Provavelmente havia pouco mobiliário. Objetos trazidos da Alemanha ganhavam enorme importância.

Uma panela, uma ferramenta, uma peça de roupa, um baú ou uma Bíblia não eram apenas utensílios: constituíam parte do mundo anterior que ainda acompanhava aquelas pessoas. O restante precisaria ser construído.

Os primeiros dias

A primeira necessidade era descansar. Depois vinha algo muito mais complicado: entender como funcionava Ibicaba. Onde buscar água? Onde obter comida? Qual era a casa da família? Quem comandava a colônia? Onde ficavam os cafezais? Quais cafeeiros caberiam a cada família? Onde poderiam plantar alimentos? A quem deveriam recorrer quando precisassem de alguma coisa? Como comprar mantimentos? Como seriam registradas as despesas?

E, talvez o problema mais imediato: como perguntar tudo isso sem falar português?

A barreira linguística era enorme. Pesquisas sobre Ibicaba mostram que muitos dos recém-chegados falavam alemão ou diferentes dialetos germânicos e tinham dificuldade para participar das negociações realizadas em português. Isso os tornava dependentes de administradores, intérpretes e intermediários. 

Aprender algumas palavras devia tornar-se rapidamente uma necessidade. Água. Comida. Café. Casa. Dinheiro. Trabalho. Números. Os primeiros rudimentos de português provavelmente foram aprendidos menos em aulas do que na urgência do cotidiano.

Conhecendo a nova casa

O contrato estabelecia que a família receberia moradia e uma quantidade de cafeeiros proporcional à sua capacidade de trabalho. A unidade fundamental do sistema não era simplesmente o indivíduo. Era a família.

Isso fazia enorme diferença. Um casal com vários filhos suficientemente crescidos para trabalhar possuía maior capacidade produtiva do que um casal jovem com crianças pequenas.

A família Fischer era numerosa. Martin e Katharina haviam chegado acompanhados dos filhos. Portanto, aos olhos da administração de Ibicaba, não representavam apenas uma família a ser alojada. Representavam também uma unidade potencial de trabalho.

Martin Fischer tinha cerca de 43 anos quando chegou em Ibicaba. Sua esposa Katharina Stumpf tinha aproximadamente 53 anos. Os filhos eram sete, pela ordem: Anton 24, Johann Jacob 22, Johann Martin 18, Friedrich 15, Heinrich 13, Katharina 10 e Philipp de 4 anos.

Em algum momento dos primeiros dias, um funcionário da colônia precisou mostrar aos Fischer aquilo que passaria a constituir parte essencial de sua vida: os seus cafeeiros. Martin provavelmente conhecia pouco ou nada sobre café. Sua experiência europeia estava ligada a outro ambiente agrícola e, profissionalmente, ao trabalho com pedra. 

Agora precisaria aprender a reconhecer o cafeeiro, compreender seu ciclo, limpar a área ao redor das plantas, participar da colheita e entender o processo pelo qual aquelas pequenas frutas vermelhas acabariam transformadas numa mercadoria exportada para lugares tão distantes quanto a Europa que ele acabara de deixar.

Um mundo de café

O Morro Azul e as terras ao redor da colônia eram progressivamente ocupados por cafezais. Havia uma divisão espacial importante dentro da propriedade. O trabalho dos colonos europeus, organizado por famílias, não funcionava exatamente como o trabalho das turmas de escravizados. Pesquisas sobre a organização de Ibicaba mostram áreas distintas de cultivo e moradia associadas aos diferentes regimes de trabalho. 

Isso não significava ausência de contato. Pelo contrário. Os imigrantes viviam dentro de uma fazenda escravista. Encontravam pessoas escravizadas nos caminhos, instalações, trabalhos agrícolas e serviços. Para aqueles alemães recém-chegados, tratava-se de uma realidade social profundamente diferente daquela que haviam conhecido na Europa.

E havia uma contradição evidente: eles haviam emigrado em busca de melhores condições de vida e liberdade econômica, mas começavam sua experiência brasileira numa propriedade onde centenas de pessoas não eram livres.

Cafezal em Ibicaba
Cafezal em Ibicaba

A terra para comer

Os cafeeiros não resolveriam todas as necessidades. Café produzia renda. Não alimentava uma família. Por isso o sistema permitia que os colonos cultivassem roças de mantimentos. Milho, feijão, mandioca e outros produtos começariam progressivamente a entrar no cotidiano alimentar.

A adaptação não foi apenas econômica. Foi também culinária. Produtos desconhecidos passaram à mesa. Receitas europeias foram adaptadas. Ingredientes brasileiros substituíram ingredientes impossíveis ou caros de encontrar. Pouco a pouco, uma cozinha germânica transplantada para os trópicos começava a mudar.

Martin encontra outra forma de trabalhar

Aqui a história particular de Martin Fischer começa a adquirir uma importância extraordinária. Ele não era apenas agricultor. Martin chegara da Europa identificado profissionalmente como Steinhauer — trabalhador especializado no corte e preparação de pedra. Ibicaba, por sua vez, estava em expansão. Centenas de pessoas precisavam ser alojadas. Casas precisavam ser construídas. Estruturas necessitavam de reparos.

A colônia crescia. E a documentação contábil que chegou até nós traz um indício particularmente importante: Martin recebeu valores relacionados à construção de casas.

Contabilidade Martin Fischer 1848
Contabilidade Martin Fischer 1848

Isso significa que a profissão aprendida na Alemanha não ficou simplesmente para trás. Em algum momento, sua habilidade passou a ser utilizada na nova realidade brasileira. Talvez esteja aí uma das primeiras chaves para compreender a trajetória econômica da família.

Enquanto outros colonos dependiam quase exclusivamente da lavoura, Martin possuía um ofício que poderia gerar renda adicional. A mesma mão que havia trabalhado pedra na região de Flonheim agora ajudava a construir uma colônia no interior paulista.

Uma aldeia começa a nascer

A transformação foi rápida. Quando Perret Gentil visitou Ibicaba em 1851, encontrou uma comunidade muito mais organizada do que aquela de 1847. As casas já formavam ruas. Havia um chafariz. Cafezais cercavam a povoação.

As habitações antigas ainda existiam a alguma distância e algumas famílias aguardavam a conclusão de novas construções. É possível que Martin tenha participado materialmente dessa transformação.

O imigrante chegado em 1847 podia olhar, quatro anos depois, para uma pequena vila que não existia daquela forma quando desembarcara. E talvez reconhecer em algumas paredes o resultado do próprio trabalho.

Aqueles primeiros dias foram, portanto, muito mais do que uma simples adaptação. Representaram a passagem definitiva de emigrantes para colonos. A viagem havia terminado. Agora era necessário aprender a viver.

Panorâmica de Ibicaba
Panorâmica de Ibicaba

Galeria de fotos restauradas da família Fischer

Martin Fischer
Martin Fischer
Martin Fischer
Martin Fischer
Martin Fischer
Martin Fischer
Catharina Stumpf
Catharina Stumpf
Catharina Stumpf
Catharina Stumpf
Catharina Stumpf
Catharina Stumpf
Anton Fischer
Anton Fischer
Anton Fischer
Anton Fischer
Anton Fischer
Anton Fischer
Elizabeth Barth
Elizabeth Barth
Elizabeth Barth
Elizabeth Barth
Elizabeth Barth
Elizabeth Barth
Martinho Fischer
Martinho Fischer
Martinho Fischer
Martinho Fischer
Martinho Fischer
Martinho Fischer
Maria Dupre
Maria Dupre
Maria Dupre
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Henrique Fischer
Durvalina Fischer
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza
Joaquim de Souza Fischer e Ana Carolina de Moraes
Joaquim de Souza Fischer e Ana Carolina de Moraes
Joaquim de Souza Fischer
Joaquim de Souza Fischer
Ana Carolina de Moraes
Ana Carolina de Moraes
Raimundo de Moraes
Raimundo de Moraes
Raimundo de Moraes
Raimundo de Moraes
Carolina de Jesus
Carolina de Jesus
Carolina de Jesus
Carolina de Jesus
Antonio Fischer
Antonio Fischer
Família Fischer
Família Fischer
Barbara, Catharina, Frederico Fischer e Catharina Stumpf
Barbara, Catharina, Frederico Fischer e Catharina Stumpf
Catharina Fischer
Catharina Fischer
Catharina Fischer e Catharina Stumpf
Catharina Fischer e Catharina Stumpf
Barbara e Frederico Fischer
Barbara e Frederico Fischer

Joaquim Fischer, Quim do Grupo ou Quinzinho

Joaquim Fischer aos 22, 72 e 92 anos

Joaquim de Souza Fischer, filho do casal Dorvalina Fischer e Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho, nasceu em Lindóia, São Paulo, em 18 de agosto de 1928. Neto de Henrique Fischer e Zulmira Evangelista pelo lado materno, do lado paterno tinha como avós José de Souza de Godoy e Ana Francisca da Costa.

Seus bisavós eram Martinho Fischer e Maria Dupre; João José Evangelista e Maria José Rosa; Cipriano de Souza de Moraes e Maria de Souza de Godoy; Joaquim da Costa Figueiredo e Francisca Rodrigues da Silva.

Certidão de nascimento de Joaquim Fischer
Certidão de nascimento de Joaquim Fischer

Joaquim perdeu sua mãe Dorvalina Fischer quando tinha apenas três anos de idade, em 1831. Junto com seus quatro irmãos, Benedicto, Sebastiana, Antonieta e José, ele foi criado por seu pai Joaquim e sua tia Cyra Fischer.

Na adolescência ele jogava futebol no time da cidade de Lindóia e também tocava na banda municipal.

Joaquim Fischer (deitado à frente) no time de futebol de Lindóia, em 1942
Joaquim Fischer (deitado à frente) no time de futebol de Lindóia, em 1942

Joaquim Fischer era funcionário público e trabalhava como zelador/bedel na Escola Estadual Pedro de Toledo em Lindóia, até se aposentar. Mesma função exercida anteriormente por seu pai Joaquim de Souza de Godoy.

Mas antes de ter um trabalho fixo formal em sua cidade natal, Joaquim morou um tempo em São Paulo, junto com seu irmão mais velho, Benedicto, que já morava e trabalhava como padeiro na capital paulista. O jovem Joaquim trabalhou como entregador de mercadorias, em comércios na região central de São Paulo.

Ele não se adaptou a realidade da vida paulistana e resolveu voltar para Lindóia, onde em 23 de dezembro de 1950, aos 22 anos de idade, casou-se com Ana Carolina de Moraes, ela com 19 anos.

Certidão de casamento de Joaquim e Ana Carolina
Certidão de casamento de Joaquim e Ana Carolina
Casamento de Joaquim Fischer e Ana Carolina em 1950
Casamento de Joaquim Fischer e Ana Carolina em 1950, dama de honra Sonia Grava de Souza

Ana Carolina nasceu em Itapira, São Paulo, em 17 de abril de 1931. Filha de Raymundo Francisco de Moraes e Carolina de Jesus. Neta pelo lado paterno de Francisco José de Moraes e Delphina Alexandrina da Conceição. Seus avós maternos eram Celestrino de Souza e Sebastiana de Jesus.

Certidão de nascimento de Ana Carolina de Moraes
Certidão de nascimento de Ana Carolina de Moraes
Carolina de Jesus
Carolina de Jesus
Raymundo de Moraes
Raymundo de Moraes

Joaquim e Ana Carolina tiveram 12 filhos, dois deles faleceram ainda crianças (Paulo Roberto aos 4 anos, vítima de picada de escorpião e Luís Cláudio aos 8 meses, vítima de sarampo).

São eles:

Neide Maria de Souza Fischer (1952)

Antonio Marcos de Souza Fischer (1954)

Maria Aparecida de Souza Fischer (1955)

Sonia Maria de Souza Fischer (1957)

Jorge Luís de Souza Fischer (1959-2019)

Paulo Roberto de Souza Fischer (1960-1964)

Paulo Sérgio de Souza Fischer (1961)

Luís Claudio de Souza Fischer (1963-1963)

Claudia Maria de Souza Fischer (1965)

Silvia Helena de Souza Fischer (1968)

Rosemeire Regina de Souza Fischer (1970)

Telma Maria de Souza Fischer (1972)

Com tantos filhos para criar, Joaquim e Ana trabalhavam na escola, ela como merendeira e ele como zelador. Mas era preciso compor renda para dar conta de tantas despesas, por isso o casal também fazia papel de babás e cuidava de crianças dos vizinhos e conhecidos.

Joaquim também voltou a exercer a atividade de entregador. Agora em Lindóia, Joaquim entregava pães na cidade, logo de manhã ele passava na Padaria, pegava os pães e levava para os clientes de porta em porta.

Os filhos de Joaquim e Ana cresceram em Lindóia, estudaram, e a maioria se casou e teve filhos. Alguns fixaram residência em Lindóia e outros se mudaram para cidades vizinhas como Águas de Lindóia, Serra Negra e Ouro Fino. A família ficou numerosa, ao todo, em 2024, entre filhos e filhas, genros, noras, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos, somam mais de 50 pessoas.

Quando se casaram e por algum tempo, Joaquim e Ana moravam em uma casa dentro da escola onde trabalhavam, depois eles se mudaram para uma casa na rua Fabiano Franco e posteriormente em uma casa na rua José de Freitas, onde viveram juntos com os filhos, netos e por muitos anos com Sebastiana Aparecida, carinhosamente chamada de Cuca, irmã de Joaquim, solteira, sem filhos, falecida em 2007, aos 86 anos.

Ana Carolina, Joaquim e Sebastiana
Ana Carolina, Joaquim e Sebastiana

Em dezembro de 2000, a família celebrou os 50 anos (bodas de ouro) do casamento de Joaquim e Ana Carolina. Dez anos mais tarde, em 2010, outra celebração comemorou os 60 anos de casados (bodas de diamante).

Joaquim Fischer e Ana Carolina em 2000
Joaquim Fischer e Ana Carolina em 2000
Joaquim Fischer e Ana Carolina em 2010
Joaquim Fischer e Ana Carolina em 2010

Em 18 de março de 2012, Ana Carolina faleceu em sua residência, em Lindóia, vítima de parada cardiorrespiratória e foi sepultada no cemitério local.

Após a morte de sua esposa, Joaquim passou a viver com sua filha mais nova, Telma e também sob os cuidados do filho Paulo Sérgio. Com a cabeça muito boa e lúcido, Quinzinho alguns anos mais tarde, após os 90 anos, já sofria de dificuldades físicas e não conseguia se locomover sozinho.

Em 02 de outubro de 2022, Joaquim Fischer faleceu, aos 94 anos. Seu corpo foi velado por amigos e familiares no velório municipal de Lindóia e sepultado no jazigo da família no Cemitério Municipal da cidade.

Dorvalina Fischer, a primogênita

Dorvalina Fischer, primeira filha do casal Henrique Fischer e Zulmira Evangelista, nasceu em Limeira, São Paulo, em 1898. Ela foi batizada em 22 de janeiro de 1899, na igreja católica, Matriz de Nossa Senhora das Dores, em Limeira. Foram padrinhos seus avós paternos Martinho Fischer e Maria Dupre.

Assento de batismo de Dorvalina Fischer
Assento de batismo de Dorvalina Fischer

Transcrição: Aos vinte e dois de janeiro de mil oitocentos e noventa e nove, nesta Matriz, batizei solenemente Dorvalina, nascida em trinta de setembro do ano passado, filha legítima de Henrique Fischer e Zulmira Evangelista. Padrinhos Martinho Fischer e Maria Dupre.

Dorvalina passou sua infância em Limeira, junto com os pais e irmãos, Cyra, Armando e Augusto que nasceram posteriormente em 1901, 1903 e 1906. Aos oito anos de idade, ainda criança, Dorvalina ficou órfã, sua mãe Zulmira faleceu de tuberculose, em 14 de setembro de 1906.

Seu pai, Henrique Fischer, ficou viúvo e sozinho entre 1906 e 1912, mas tudo leva a supor que uma sobrinha de Zulmira, chamada Odila Evangelista, possa ter ajudado na criação dos filhos órfãos de Zulmira, já que ela viria a ser a segunda esposa de Henrique, em 30 de novembro de 1912.

Em 1913, Dorvalina, já uma adolescente com 15 anos, mudou-se de Limeira para Lindóia, São Paulo, junto com seu pai, sua madrasta e seus irmãos mais novos. Nesta cidade eles moravam na rua do Largo da Matriz, nº 05.

Três anos mais tarde, aos 18 anos de idade, em 30 de setembro de 1916, Dorvalina casou-se com Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho, ele com 30 anos, na igreja católica, Matriz de Nossa Senhora das Brotas, em Lindóia, São Paulo.

Registro de casamento de Dorvalina e Joaquim
Registro de casamento de Dorvalina e Joaquim

Transcrição: Aos trinta de setembro de mil novecentos e dezesseis, nesta Paróquia de Nossa Senhora das Brotas, de Lindoia, em minha presença e das testemunhas, Firmino de Godoy Bueno e Agenor do Nascimento, receberam-se em matrimônio os nubentes Joaquim de Souza de Godoy e Dorvalina Fischer, ele com trinta anos de idade, filho legítimo dos falecidos José de Souza de Godoy e Anna Francisca da Costa e ela com dezoito anos de idade, filha legítima de Henrique Fischer e da falecida Zulmira Evangelista, ambos os contraentes são fregueses desta paróquia.

Filho de José de Souza de Godoy e Anna Francisa da Costa, Joaquim nasceu em Serra Negra, São Paulo, em 1886. Ele era de uma família tradicional da região, considerados alguns dos fundadores de Lindóia. Diz a história da cidade, que alguns imigrantes portugueses e espanhóis, oriundos de Atibaia – Bairro da Guardinha, se desentenderam com o Governador da Capitania de São Paulo, e fugiram, se fixando às margens do Cezar. Segundo a história contada pelos antigos, estas famílias eram: Franco, Godoy, Alves, Souza, Almeida e Domingues. Dos documentos antigos constam que Manoel Alves de Almeida, criou um índio batizado pelo nome de Salvador Domingues de Almeida, fundando-se latifúndios às margens esquerda do Rio do Cezar, depois chamado Rio do Peixe, por ser muito piscoso. Construiu aí algumas residências e plantou suas lavouras. Consta ainda que Salvador Domingues de Almeida casou-se com Candida (triavós de Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho) e desse casamento teve muitos filhos, sendo que uma filha por nome de Anaesméria, casou-se com Joaquim Franco de Godoy (bisavós de Joaquim de Souza Sobrinho), doador das terras para construção da Igreja de Nossa Senhora das Brotas, que recebeu está homenagem, por ser esta região riquíssima em quantidades de brotas de água. 

Quando Joaquim casou-se com Dorvalina, ele já tinha uma filha de outro relacionamento, chamada Jandira de Souza. Joaquim e Dorvalina logo tiveram o primeiro filho e ao todo foram cinco, são eles:

Benedicto de Souza (1918-?)

Sebastiana Apparecida de Souza (1921-2007)

Antonieta de Souza (1923-2015)

Joaquim de Souza Fischer (1928)

José Benedito de Souza (1931-2017)

Vale pontuar que entre o nascimento de Antonieta e Joaquim passaram-se cinco anos, nesse intervalo não foi encontrado registro de filhos do casal, o que não era normal para a época. Pode ser que naqueles anos, Dorvalina possa ter engravidado e sofrido abortos, o que era muito comum.

Dorvalina Fischer faleceu em 1931, após o nascimento de seu filho José Benedito, em Lindóia, onde foi sepultada no cemitério local. Segundo história oral contada por familiares, ela morreu na dieta, período que a mulher se recupera após uma gestação.

Com a morte da esposa, Joaquim de Souza de Godoy ficou com os cinco filhos, relativamente pequenos, Benedicto, o mais velho, tinha apenas 13 anos, Sebastiana 10 anos, Antonieta 8 anos, Joaquim 3 anos e José Benedito recém nascido.

Segundo histórias contadas por familiares, Joaquim seguiu viúvo e continuou criando os filhos sozinho, com a ajuda de Cyra Fischer, irmã de Dorvalina. Cyra era recém casada com Sebastião de Souza Godoy, conhecido como Nino, e provavelmente parente de Joaquim. Cyra e Sebastião tiveram uma única filha, Silvia Benedicta, que morreu ainda bebê. Sem filhos, ela ajudou na criação dos sobrinhos.

Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho faleceu aos 77 anos, em Lindóia, São Paulo e foi sepultado no cemitério local. Antes da morte, ele ficou anos na cama após ter sofrido um AVC e era cuidado pela filha Sebastiana Aparecida.

Conrado Grava de Souza, neto de Joaquim, tem lembranças do avô: “Quando nasci, em 1949, o avô Joaquim era o único vivo. Lembro-me dele deitado em uma cama, em Lindóia, em uma casinha muito simples, na rua onde começava a estrada para Itapira. Ele morava com a minha tia Cida. Ele tinha perdido a fala e só se comunicava com a minha tia por um sininho. Tocava o sininho e, se minha tia demorava para atendê-lo, ao abrir a porta do quarto, na verdade uma cortina de tecido, ele atirava o sininho nela.

Retrato de Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho
Retrato de Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho

Flonheim, a origem dos Fischer na Alemanha

Imagem ilustrativa da cidade de Flonheim na Alemanha no século 19

Martin Fischer, patriarca da Família Fischer, é originário de  Flonheim, Alzey-Worms, no estado da Renânia-Palatinado, na Alemanha. 

Flonheim é uma cidade mercantil, abaixo de uma área de proteção paisagística charmosa. A riqueza de Flonheim mostrada em edifícios deve-se essencialmente à indústria de pedreiras outrora florescente, que após a Segunda Guerra Mundial, deu lugar à produção de pedra artificial.

Praça do mercado e igreja protestante em Flonheim
Praça do mercado e igreja protestante em Flonheim

História

Tempo romano
Pedreiras romanas de Flonheim forneceram o arenito de quartzo para as esculturas agora mantidas no Museu Alzeyer (incluindo o Viergötterstein). Existem ricos achados de túmulos do período da Francônia, por exemplo, um túmulo principesco (século 7) com extenso e valioso armamento, incluindo uma longa espada com cabo revestido de ouro. Em 767, o lugar é mencionado como “Flonenheim”, mais tarde entre outras coisas como “Flanheim” (= residência do Flano). Desde o início do período merovíngio, Flonheim foi a sede da nobreza. 

O arenito foi extraído na parte sul do distrito de Flonheim já nos tempos romanos. Isso pode ser visto pelo fato de que, por exemplo, muitos monumentos de pedra romanos de Alzey foram feitos com arenito Flonheim. Devido à boa localização de Flonheim na estrada romana Worms-Alzey-Bingen, as pedras extraídas puderam ser removidas rapidamente. Não foi esclarecido de forma conclusiva se, além da pedreira romana, havia também um assentamento romano na área atual da aldeia. Até agora, apenas um túmulo foi encontrado na antiga “Heidenplatz”, o que pelo menos indica a existência de mansões.

A família Emichonen (posteriormente “Condes de Flonheim”) governou (“Amt Flonheim”, incluindo Uffhofen, Bornheim, Lonsheim) desde 960. Por volta de 1133, o conde selvagem Emich II fundou o Mosteiro dos Cânones Agostinianos de Santa Maria (onde – lembre-se também dos nomes “Klostergasse” e “Klostereck”). Por volta de 1300, o local foi cercado por uma muralha defensiva, que também é indicada pela planta da cidade com o anel viário. O domínio subseqüente dos Condes de Reno durou até 1792. 

Desde 1744, o endividado e despótico Magnus Rheingraf zu Rheingrafenstein era o senhor de parte do lugar. Distrito de Uffhofen: o nome veio de uma fazenda abaixo da vila de Flonheim (no sentido de “uff” = abaixo ou “uf Hofen” = ir em direção à fazenda). 

Idade Média
O nome que termina em “-heim” e alguns túmulos encontrados na área da aldeia indicam que a aldeia foi fundada pela Francônia há cerca de 500 anos. Foi mencionado pela primeira vez em 765/67 no Lorsch Codex como “Flan (n) nenheim” (lar do Flano).

No início da Idade Média, a aldeia pertencia aos Wildgrafen como Bornheim e Uffhofen. Em 1098 e 1139, eles são passados ​​como “comes de Vlanheim”. Em 1283, Wildgrave Gottfried von Dhaun era o senhor local. Depois que essa linha foi extinta em 1350, a comunidade veio para a linha de Kyrburg. Em 1368, Wildgrave Friedrich von Kyrburg prometeu sua parte nas áreas administrativas de Bornheim, Flonheim e Uffhofen por um curto período de tempo ao Conde Palatine Ruprecht I. Mais tarde, Flomborn, Bornheim e Uffhofen caíram para os herdeiros de Kyrburg, os  príncipes von Salm e os Condes de Reno von Grumbach. A partir de 1506, a cidade mercantil era a agência dos correios de Thurn and Taxis Post Office. O escritório de Flonheim, que esteve nas mãos do Conde do Reno desde cerca de 1409, com as suas localizações administrativas Bornheim, Flonheim e Uffhofen, durou até a ocupação francesa no final do século XVIII. Em 1744 os direitos foram definidos contratualmente através do escritório. Três quartos foram para os condes selvagens e do Reno de Dhaun, um oitavo para o príncipe Salm-Salm e outro oitavo para o  príncipe Salm-Kyrburg.

Um mosteiro de coro agostiniano , fundado pelo conde selvagem Emicho II como governante local  em 1131, que foi confirmado papalmente em 1162, foi dissolvido em 1554 durante a Reforma .

Em 1724-28 a igreja simultânea foi substituída por um novo edifício, que por sua vez foi substituído em 1881-1885 pela igreja protestante, que ainda existe hoje. Uma igreja católica foi construída anteriormente em 1877/78.

Uma população judia em Flonheim no início do período moderno pode ser comprovada pela sinagoga construída em 1786, que foi demolida em 1979. O cemitério judeu da cidade, ocupado até cerca de 1830, provavelmente também data do século XVIII. Sua localização é excepcional para um cemitério judeu, pois estava dentro das muralhas da cidade. 

Tempos modernos
No século 19, a demografia da vila cresceu continuamente. Em 1815 havia 1242 habitantes, em 1830, 1550 e 1900, 1818. Em 2011 o local contava com 2.636 habitantes.

A mineração e o processamento de arenito foram industrializados no século 19 e cresceram para se tornar o fator econômico central em Flonheim. Em 1808 trabalhavam nas pedreiras 460 pessoas, depois de meados do século eram mais de 1000 e também havia 30 pedreiros na aldeia. A construção do ramal Armsheim-Flonheim em 1871 tornou mais fácil o transporte desses bens econômicos. Como a estação ferroviária ficava perto das pedreiras isto facilitava, agora está um pouco longe do centro da cidade. 

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, este ramo da indústria começou a declinar e a viticultura tornou-se o fator econômico mais importante. Em 1892, a construção da adega da vinícola Werner foi concluída e em 1888 a fábrica de vinagre Köhler foi fundada.

Pontos importantes
Numerosas belas casas barrocas com portais de arenito e interessantes entalhes em pedra (único em Rheinhessen, devido à indústria anterior de arenito), principalmente em restaurantes anteriores (Flonheim era a estação de retorno do Leinereiter), especialmente em Langgasse (a casa mais antiga de 1568) e Alzeyer Straße.

Câmara municipal (séc. XVII), hall no rés-do-chão com portais e núcleos de venda, torre de escadas. Impressionante praça do mercado com uma igreja de duas torres que é extraordinariamente poderosa para tal lugar, visível de longe (“Catedral do Vale de Wiesbach”). Mãe de Deus na versão antiga, por volta de 1750 no altar lateral neo-gótico da Católica.

Brasão do Conde do Reno na empena renascentista do prédio da escola, Bahnhofstrasse. Casas de vinhedos em forma de granada (edifícios em cúpula) feitas de arenito Flonheim de cor clara (“casas brancas”, também chamadas de “trulli”, dois aindares disponíveis), cuja construção é atribuída a construtores Lombard (Bergamo?), com aproximadamente 800 anos; estruturas peculiares particularmente características desta região, supostamente ainda ocorrendo como edifícios residenciais no sul da Itália.

Prensa de pedra (arenito) de 1870 em frente à cabana “Schauinsland”. Trilha educacional da natureza e do vinho. Pedreiras de arenito. No bairro de Uffhofen: moinho fantasma romanticamente situado na estrada para Wendelsheim. Aulheimer Grund (nome devido ao povoado submerso) com uma flora particularmente interessante. Pedreiras e poços de areia. No Museu Municipal de Worms: Achados do já mencionado “Túmulo do Príncipe”.

Arredores
Para a área de proteção paisagística “Alzeyer Berg” com cabana “Schauinsland” e “Donnersbergblick”, na área da antiga pedreira, sob proteção da natureza desde 1962, rodeada de vinhedos (trilhas educacionais da natureza e do vinho) – para Oswaldhöhe (Bornheim) e na torre de observação perto de Lonsheim – para Aulheimer Grund (acima de Geistermühle, caminho de campo ramificando-se para a esquerda): ambiente extremamente seco e quente, solo rochoso, rochas ígneas basálticas, “clima de microestepe”, Rabenkanzel como um local para plantas raras de urze, estepe de grama; entre Bornheim e Heimersheim correndo vale seco.

Trullo, uma construção típica de Flonheim
Trullo, uma construção típica de Flonheim

Flonheim é uma pequena cidade localizada na Renânia-Palatinado, Alemanha, conhecida principalmente por sua vinicultura. A história de Flonheim é rica e remonta a tempos antigos, com evidências de ocupação humana que datam de períodos pré-históricos.

Flonheim foi mencionada pela primeira vez em documentos históricos por volta do ano 766. A região já era habitada por celtas e depois por tribos germânicas antes da chegada dos romanos. Durante o período romano, a área era parte da fronteira do Império Romano, conhecida como Limes Germanicus. A presença de túmulos romanos e outros artefatos arqueológicos sugere uma ocupação significativa durante esse período.

No período medieval, Flonheim estava sob a influência de vários senhorios, incluindo o Eleitorado de Mainz, que era um dos mais poderosos estados eclesiásticos do Sacro Império Romano. A igreja local, a Igreja de São Remígio, é um exemplo do legado arquitetônico deixado por essa época, com partes da construção datando do século 12.

Durante a era moderna, Flonheim desenvolveu-se consideravelmente, especialmente no que diz respeito à produção de vinho. A viticultura tem sido a espinha dorsal da economia local por séculos, com a região sendo parte do famoso vinho alemão de Rheinhessen. A paisagem ao redor de Flonheim é pontilhada com vinhedos, e a cidade é conhecida por seus vinhos brancos, particularmente Riesling, Silvaner e Müller-Thurgau.

Fontes:
Regional Geschichte
Museu Flonheim

Árvore Genealógica da Família Fischer

Árvore Genealógica

FISCHER, Martin

Martin Fischer
Martin Fischer (acervo Washington Marcondes Ferreira)

I – Martin Fischer,  nascido em 1804, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Falecido por volta de 1870, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Casado por volta de 1820, com Katharina Elizabeth Stumpf, nascida em 1794, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha, falecida por volta de 1874, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. 

Uma curiosidade sobre Martin Fischer e sua família é que antes de emigrarem da Alemanha para o Brasil, eles tentaram emigrar para os EUA, em 1837, mas por algum motivo ainda desconhecido, eles não se mudaram para a América do Norte e 10 anos depois, em 1847 desembarcaram no Brasil. Este casal e sete filhos emigraram da Alemanha para o Brasil, como contratados pela Vergueiro e Cia, para trabalharem como colonos, em regime de parceria, na Fazenda Ibicaba, em Limeira, São Paulo. O nome de Martin Fischer consta na lista de abertura da Colônia Vergueiro, em 01 de agosto de 1846. Alguns registros em livros sobre a imigração e Ibicaba contam que Martin Fischer teria sido um dos colonos que escreveu uma carta para a Alemanha, em 1848, relatando como era a vida em Ibicaba e manifestando contentamento com o regime de parceria. Martin Fischer é citado na lista enviada pelo Senador Vergueiro, que consta no livro Revolta dos Parceiros de Ibicaba (pág. 62) como um dos colonos que em 1857 já havia deixado a colônia Ibicaba com dinheiro e tinha propriedade.

Lista original dos imigrantes no livro de abertura da Colônia Vergueiro
Lista original dos imigrantes no livro de abertura da Colônia Vergueiro em 1846

F1 – Anton Fischer (Antônio Fischer), nascido em 27 de abril de 1823, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Falecido em 23 de agosto de 1884, em Rio Claro, São Paulo, Brasil. Casado primeiro com Elizabeth Barth (Izabel Barth). Depois casado em 08 de outubro de 1874, em Rio Claro, São Paulo, Brasil, com Paulina Grahnert, nascida em 11 de janeiro de 1846, na Turíngia, Alemanha. Falecida em 15 de novembro de 1875, em Rio Claro, São Paulo, Brasil.

Anton Fischer foi diretor da Fazenda Ibicaba entre meados de 1850 até 1867. O nome dele é citado em livros que tratam sobre o trabalho dos colonos na fazenda, como o clássico Ibicaba, uma experiência pioneira, de autoria do historiador José Sebastião Witter. O nome de Anton ou Antônio Fischer também aparece no Livro Mestre da Colônia Vergueiro, como assinatura nos documentos de contabilidade dos colonos. Alguns registros contam que o diretor da fazenda Ibicaba, de sobrenome Fischer, era uma figura pouco apreciada pelos colonos e motivo de reclamações. Como diz esse trecho de uma dissertação de Mestrado em Economia, da Unicamp, de autoria de Fábio Alexandre dos Santos: “No que tange ao modo como se davam as relações produtivas, ao elencar as reclamações dos trabalhadores da Fazenda Ibicaba, por volta de 1860, Tschudi enfatiza que as reclamações pesavam primordialmente sobre José Vergueiro, filho do senador Vergueiro, o intermediário na comunicação com os alemães já que havia estudado na Alemanha e sabia o idioma e, ao diretor da fazenda, contraditoriamente, Fischer, um alemão ‘sem cultura nem educação’ que abusava da autoridade com um excessivo grau de brutalidade para com seus conterrâneos europeus”. Outros registros mostram que, após o período na fazenda Ibicaba, Antônio Fischer teria se estabelecido em Piracicaba, São Paulo, onde teria uma marcenaria. Tal empreendimento aparece em citações de obras como Piracicaba no Século XIX e Colonos na Fazenda Ibicaba, empresários em Piracicaba. Após o período na fazenda Ibicaba e a possível passagem por Piracicaba, Antônio Fischer, possivelmente viúvo (não conseguimos precisar ainda a data da morte de Elizabeth Barth. Anton Fischer e Elizabeth Barth teriam se conhecido na fazenda Ibicaba, onde suas famílias eram colonos. Ela pode ser filha de Ludwig Barth, um dos colonos citados na lista de abertura da Colônia Ibicaba em 1846.  O casamento teria ocorrido antes de 1850, não foi possível precisar a data e local.), se mudou para Rio Claro, ali ele morou na Rua Alegre, nº 05, atual Avenida Cinco e passou a trabalhar como negociante. Ele estreitou laços com a comunidade evangélica local, prova disso é que o nome dele consta como padrinho de casamento e de batismo em alguns registros luteranos. Em Rio Claro ele também se casou com Paulina Grahnert, com quem não teve filhos.

Contabilidade do colono Jacob Blumer na fazenda Ibicaba
Relatório de contabilidade do colono Jacob Blumer na fazenda Ibicaba

N1 – Martinho Fischer, nascido em 05 de setembro de 1850, em Constituição, atual Piracicaba, São Paulo, Brasil. Falecido em 05 de agosto de 1913, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casado em 27 de outubro de 1868, em Limeira, São Paulo, com Maria Dupre, nascida em 16 de fevereiro de 1851, em Muhl, Neuhütten, Trier-Saarburg, Renânia-Palatinado, na Alemanha. Falecida em 01 de setembro de 1942, em Limeira, São Paulo, Brasil.

Retrato Martinho Fischer
Retrato de Martinho Fischer

Em 03 de junho de 1862 a família Dupre, oriunda de Muhl, Neuhütten, distrito de Trier-Saarburg, na Renânia-Palatinado, na Alemanha, embarcou no porto da Antuérpia, Bélgica, rumo ao Brasil. A bordo do navio patacho dinamarquês Challenger, dirigido pelo capitão Lubbe, Johann Michael Dupre, sua esposa Katharina Rosar e seus 6 filhos: Peter, Johann, Catharina, Maximilian, Georg e Maria, viajaram pelo Oceano Atlântico juntos com outros imigrantes contratados pela Vergueiro e Cia. Após 53 dias de viagem, eles desembarcaram no Porto de Santos, em 26 de julho de 1862 e, de lá, seguiram rumo a fazenda Ibicaba em Limeira, São Paulo, onde se estabeleceram como colonos e trabalharam no regime de parceria. Uma outra filha do casal não migrou com os pais, Helene Dupre ficou na Alemanha. Com 22 anos na época, ela possivelmente já era noiva de Johann Peter Rosar, com quem se casou em 1863.

B1 – Izabel Fischer, nascida em 1869, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casada em 23 de junho de 1887, em Limeira, São Paulo, Brasil, com Manoel Jorge de Oliveira, nascido em Tocha do Conselho, Coimbra, Portugal.

B2 – Catharina Fischer, nascida em 31 de março de 1870, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casada em 25 de setembro de 1888, em Limeira, São Paulo, Brasil, com Jacob Levy, nascido em 11 de novembro de 1867, em Limeira, São Paulo, Brasil.

Jacob Levy era filho de Sadox / Zadok Levy e Catharina Dupre, irmã de Maria Dupre. Portanto, ele era primo de sua esposa Catharina Fischer. Seu pai, Sadox / Zadok, migrou da Alemanha para o Brasil junto com seu pai Jacob Levy e os irmãos: Angela, Moses, Isaak e Salomon. Eles chegaram em 3 de agosto de 1857, na terceira leva de imigrantes alemães, contratados pela Vergueiro e Cia, para trabalharem como colonos, na fazenda Ibicaba. Ao chegarem no Brasil, eles, que eram judeus, foram rebatizados na religião católica e receberam outros nomes: Sadox / Zadok passou a se chamar Mathias, Angela se tornou Maria, Moses passou a se chamar José, Isaak se tornou Simão e Salomon se chamou Antônio.

Ti1 – Maria Fischer Levy, nascida em 26 de setembro de 1889, em Pirassununga, São Paulo, Brasil. Casada com Adalberto Braga.

Te1 – Adalberto Braga Filho, nascido em 1915, falecido em 2007.

Ti2 – José Fischer Levy, nascido em 28 de novembro de 1890, em Pirassununga, São Paulo, Brasil. Falecido em 14 de abril de 1975, em Pirassununga, São Paulo, Brasil. Casado em 29 de julho de 1911 com Magdalena Sposito, nascida em 15 de junho de 1892.

Te1 – Moacyr Fischer Levy, nascido em 30 de junho de 1923, falecido em 14 de junho de 2013.

Te2 – Martinho Fischer Levy

Te3 – Jaime Fischer Levy

Te4 – Paulo Fischer Levy

Te5 – Laura Fischer Levy

Ti3 – Lydia Fischer Levy, nascida em 23 de junho de 1898, em Pirassununga, São Paulo, Brasil. Falecida em 19 de julho de 1976, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casada com Evaristo Olivatto Filho

Te1 – Martinho Levy Olivatto

B3 – João Fischer Sobrinho, nascido em 26 de janeiro de 1873, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecido em 14 de março de 1918, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casado em 4 de julho de 1896, em Limeira, São Paulo Brasil, com Delphina Maria de Oliveira, nascida em 1878, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casado em 11 de novembro de 1905 com Geraldina Franco de Moraes, nascida em 1885.

Ti1 – Manoel Fischer, nascido em 20 de abril de 1908, em Limeira, São Paulo, Brasil.

Ti2 – Maria Fischer, nascida em 08 de abril de 1913, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida em 11 de setembro de 1997, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casada com José Bueno Vasconcelos, nascido em 18 de agosto de 1906. Falecido em 29 de dezembro de 1973, em Limeira, São Paulo, Brasil.

Ti3 – João Fischer Filho, nascido em junho de 1915. Falecido ainda criança em 10 de dezembro de 1916, em Limeira São Paulo, Brasil.

B4 – Henrique Fischer, nascido em 12 de maio de 1874, em Constituição, atual Piracicaba, São Paulo, Brasil. Falecido em 18 de março de 1939, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado em 24 de dezembro de 1896, em Limeira, São Paulo, Brasil, com Zulmira Evangelista, nascida em 20 de outubro de 1881, em Limeira São Paulo, Brasil. Falecida em 14 de setembro de 1906, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casado em 30 de novembro de 1912, em Limeira, São Paulo, Brasil, com Odila Evangelista, nascida em 1891, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida por volta de 1820, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado por volta de 1824, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Faustina Maria de Jesus, nascida em 28 de setembro de 1904, em Campo Místico, atual Bueno Brandão, Minas Gerais, Brasil. Falecida em 15 de agosto de 1999, em Campinas, São Paulo, Brasil.

Retrato Henrique Fischer
Retrato de Henrique Fischer

Em Lindóia, São Paulo, Henrique Fischer era uma figura conhecida dos moradores da pequena cidade do interior. Ele trabalhava em uma usina hidrelétrica, chamada Usina das Cotas, que gerava energia para o município. Apesar de não ser natural da Alemanha, mas ser descendente, ele era conhecido como Alemão pelos moradores. No fim da vida, talvez já sofrendo de alguma demência, ele era frequentemente visto andando pelas ruas da cidade e falando sozinho. Odila Evangelista curiosamente era sobrinha de Zulmira Evangelista, a primeira esposa, falecida, de Henrique Fischer. Logo após o matrimônio, Henrique e Odila mudaram-se com os filhos de Henrique e Zulmira para Lindóia, São Paulo, onde nasceram os filhos do casal. Após a morte de Henrique, Faustina de Jesus, chamada de “Noinha”, mudou-se para a cidade de Serra Negra, São Paulo. Ela contava que havia colocado os filhos dentro de jacás, presos no lombo de um burro, e pegaram estrada. Em Serra Negra ela se casou novamente, com um viúvo com filhos. Mas deste casamento não houve filhos. Mais tarde ela mudou-se com os filhos para Campinas, São Paulo, Brasil.

Ti1 – Dorvalina Fischer, nascida em 30 de setembro de 1898, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida em 1931, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada em 30 de setembro de 1916, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho, nascido por volta de 1886, em Serra Negra, São Paulo, Brasil. Falecido por volta de 1963, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Filho de José de Souza de Godoy e Anna Francisa da Costa, Joaquim era de uma família tradicional da região, considerados alguns dos fundadores de Lindóia. Diz a história da cidade, que alguns imigrantes portugueses e espanhóis, oriundos de Atibaia – Bairro da Guardinha, se desentenderam com o Governador da Capitania de São Paulo, e fugiram, se fixando às margens do Cezar. Segundo a história contada pelos antigos, estas famílias eram: Franco, Godoy, Alves, Souza, Almeida e Domingues. Dos documentos antigos constam que Manoel Alves de Almeida, criou um índio batizado pelo nome de Salvador Domingues de Almeida, fundando-se latifúndios às margens esquerda do Rio do Cezar, depois chamado Rio do Peixe, por ser muito piscoso. Construiu aí algumas residências e plantou suas lavouras. Consta ainda que Salvador Domingues de Almeida casou-se com Candida (triavós de Joaquim de Souza de Godoy Sobrinho) e desse casamento teve muitos filhos, sendo que uma filha por nome de Anaesméria, casou-se com Joaquim Franco de Godoy (bisavós de Joaquim de Souza Sobrinho), doador das terras para construção da Igreja de Nossa Senhora das Brotas, que recebeu está homenagem, por ser esta região riquíssima em quantidades de brotas de água. Joaquim já tinha uma filha de outro relacionamento quando casou-se com Dorvalina, ela se chamava Jandira de Souza.

Te1 – Benedicto de Souza, nascido em 30 de setembro de 1918, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado com Anna Grava.

P1 – Sônia Maria Grava de Souza, nascida em 1947, em São Paulo, Capital, Brasil. Casada com Nestor Santa Cruz Mendoza.

H1 – Alexandre Ricardo Souza Santa Cruz

H2 – Paulo Daniel Sousa Santa Cruz

P2 – Conrado Grava de Souza, casado com Hatsune Yamada.

H1 – Carolina Yumi de Souza

H2 – Debora Naomi de Souza

P3 – Joaquim Paulo Grava de Souza, nascido em 24 de agosto de 1951, em São Paulo, Capital, Brasil. Casado com Sandra de Fátima Furlan da Silva.

H1 – Ivan Furlan Grava de Souza

H2 – Flavio Furlan Grava de Souza

H3 – Marina Furlan Grava de Souza

Te2 – Sebastiana Aparecida de Souza, nascida em 03 de março de 1921, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 31 de março de 2007, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Te3 – Antonieta de Souza, nascida em 16 dezembro de 1923, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 13 de maio de 2015, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Joaquim Pereira de Carvalho.

Te4 – Joaquim de Souza Fischer, nascido em 18 de agosto de 1928, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado em 23 de dezembro de 1950, em Lindóia São Paulo, Brasil, com Ana Carolina de Moraes, nascida em 17 de abril de 1931, em Itapira, São Paulo, Brasil. Falecida em 18 de março de 2012, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Ana Carolina de Moraes era filha de Raymundo Francisco de Moraes e Carolina de Jesus. Seus avós paternos foram Francisco José de Moraes e Delphina Alexandrina da Conceição. Seus avós maternos foram Celestrino de Souza e Sebastiana de Jesus. Alguns de seus bisavós eram José Antonio de Moraes e Maria Gertrudes Bueno, Felizardo Francisco de Oliveira e Alexandrina Maria da Conceição.

P1 – Maria Neide de Souza Fischer, nascida em 15 de agosto de 1952, em Lindóia, São Paulo Brasil.

H1 – Bruno Fischer Tardeli

H2 – Bruna Fischer Tardeli

P2 – Antônio Marcos de Souza Fischer, nascido em 05 de janeiro de 1954, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado em 1973 com Rosa da Silva, falecida em 17 de março de 1980. Casado em 1982 com Neusa de Lima, nascida em 20 de agosto de 1955, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil.

Marcos Fischer em 1961
Marcos Fischer em 1961

Antonio Marcos, mais conhecido como Marcos Fischer ficou viúvo do primeiro casamento aos 26 anos. Com sua primeira esposa, Rosa, ele morava em Mogi Guaçu, São Paulo, Brasil, onde tinha uma empresa de refrigeração. O casal teve dois filhos, Glaucia e Antonio Marcos de Souza Fischer Júnior. Juninho faleceu ainda bebê, em 1979, após sofrer uma queda da cama enquanto dormia. Sua mãe faleceu 11 meses depois, vítima de afogamento na praia do Guarujá.

Glaucia Fischer e Juninho, primeiros filhos de Marcos Fischer
Glaucia Fischer e Juninho, primeiros filhos de Marcos Fischer

No início dos anos 1980, Marcos se mudou para Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil, onde abriu sua loja e assistência técnica em refrigeração. Ali conheceu Neusa com quem se casou em 1982 e teve dois filhos, Neubiara e Neuber. Neusa de Lima Fischer (solteira de Lima), auxiliar de enfermagem, é filha de João Nunes de Lima e Aparecida Maria Pereira. Neta paterna de João Antonio de Lima e Maria Nunes da Costa. Neta materna de Joaquim Silvério Pereira e Maria Rita de Jesus. Seus bisavós paternos eram os casais Francisco Antonio de Faria e Barbara Maria de Jesus, Joaquim Nunes da Costa e Maria Custódia dos Santos. Seus bisavós maternos eram os casais Manoel Antonio Pereira e Ana Maria de Jesus, Ezequiel Gomes dos Santos e Rita Emerenciana de Jesus.

Neusa de Lima Fischer
Neusa de Lima Fischer
Neubiara e Neuber
Neubiara e Neuber filhos de Neusa e Marcos

Anos mais tarde, em 2020, Marcos descobriu que tem mais dois filhos, frutos de relacionamentos pontuais em 1980. Os filhos se chamam Pedro e Erick, nasceram em Mogi Guaçu, São Paulo Brasil.

Hx1 – Glaucia da Silva Fischer, nascida em 07 de outubro de 1974, em Itapira, São Paulo, Brasil. Casada em 1992, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Marcos Antonio de Godói.

Hp1 – Marcos Antonio de Godói Júnior, nascido em 29 de setembro de 1995, em Lindóia, São Paulo Brasil.

Hx2 – Antonio Marcos de Souza Fischer Júnior, nascido em 1978, em Itapira, São Paulo, Brasil. Falecido em abril de 1979, em Mogi Guaçu, São Paulo, Brasil.

Hx3 – Pedro

Hx4 – Erick

Hx5 – Neubiara de Lima Fischer, nascida em 16 de maio de 1983, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil. Casada em dezembro de 2009, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil, com Fernando Acácio Fleming, nascido em 06 de agosto de 1978, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil.

Hp1 – Lorenzo Fischer Fleming, nascido em 01 de maio de 2012, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil.

Hx6 – Neuber de Lima Fischer, nascido em 18 de dezembro de 1985, em Ouro Fino, Minas Gerais, Brasil.

P3 – Maria Aparecida de Souza Fischer, nascida em 04 de junho de 1955, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Izaltino Pereira de Souza, nascido em 02 de setembro de 1917, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 01 de junho de 2011, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hx1 – Perla Veruska Fischer de Souza, nascida em 03 de abril de 1977, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada primeiro com Leonardo Cardoso Ferreira, depois com Bruno Geraldo Manucci e posteriormente com Marcos Nunciaroni.

Hp1 – Leonardo Cardoso Ferreira Júnior, nascido em outubro de 1995, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hp2 – Eloah Fischer Manucci

Hx2 – Heliton Pereira de Souza, nascido em 04 de abril de 1979, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado com Josi.

Hp1 – Hélida

Hp2 – Maitê

P4 – Sônia Maria de Souza Fischer, nascida em 27 de janeiro de 1957, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Irineu Vasconcelos Soares.

Hx1 – Eder Fischer Soares, nascido em 23 de fevereiro de 1983, em Serra Negra, São Paulo, Brasil. Casado com Cris Lona.

Hp1 – Lorena

Hp2 – Pietro

Hx2 – Thiago Fischer Soares, nascido em 03 de dezembro de 1995, em Serra Negra, São Paulo, Brasil.

P5 – Jorge Luís de Souza Fischer, nascido em 02 de abril de 1959, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 12 de setembro de 2019, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado com Lucia Pirani, nascida em 12 de junho de 1967, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hx1 – Mariana Pirani Fischer, nascida em 18 de dezembro de 1987, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

P6 – Paulo Roberto de Souza Fischer, nascido em 1960, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido aos 4 anos, vítima de picadura de escorpião, em 04 de novembro de 1964, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

P7 – Paulo Sérgio de Souza Fischer, nascido em 17 de outubro de 1961, em Lindóia, São Paulo, Brasil

P8 – Luís Cláudio de Souza Fischer, nascido em abril de 1963, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido com apenas 01 ano, vítima de Sarampo, em 04 de dezembro de 1963, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

P7 – Cláudia Maria de Souza Fischer, casada com Sidney Lazari.

Hx1 – Diego Fischer Lazari, nascido em 1985, em Águas de Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hp1 – Heloísa

P8 – Silvia Helena de Souza Fischer, nascida em 31 de agosto de 1968, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hx1 – Taynara Fischer Acorsi

P9 – Rosemeire Regina de Souza Fischer, casada com Roberto Carlos de Paiva.

Hx1 – Carolina Fischer de Paiva

Hp1 – Paulo Henrique

Hx2 – Roberta Fischer de Paiva

Hp1 – Nicollas

Hx3 – João Vítor Fischer de Paiva

P10 – Telma Maria de Souza Fischer, nascida em 21 de fevereiro de 1972, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada em 1986 com Jair Gomes da Silva e divorciada em 2010.

Hx1 – Matheus Fischer da Silva, nascido em 29 de dezembro de 1989, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Hx2 – Laís Fischer da Silva, nascida em 17 de fevereiro de 1999, em Lindóia, São Paulo Brasil.

Te5 – José Benedito de Souza, nascido em 10 de fevereiro de 1931, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 13 de dezembro de 2017, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Ti2 – Cyra Fischer, nascida em 14 de março de 1901, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida em 12 de outubro de 1942, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada em 29 de setembro de 1919, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Sebastião Nino de Souza Godoy, nascido em 1896.

Te1 – Silvia Benedicta de Souza, nascida em 11 de outubro de 1933, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida ainda criança em 1934.

Ti3 – Armando Fischer, nascido em 23 de agosto de 1903, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 05 de outubro de 1951, em Lindóia São Paulo, Brasil. Casado em 26 de outubro de 1929, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Maria Annunciata de Godoy, nascida em 15 de novembro de 1911, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Te1 – Dinorah de Godoy Fischer, nascida em 28 de dezembro de 1930, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Pedro Lopes.

P1 – Cleide Fischer Lopes

P2 – Claudio Fischer Lopes

P3 – Jorge Fischer Lopes

P4 – Julio Fischer Lopes

Te2 – Zulmira de Godoy Fischer, nascida em 13 de março de 1934, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 10 de dezembro de 2009, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada em 20 de maio de 1954, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com José Ferri, nascido em 30 de novembro de 1928, em Socorro, São Paulo, Brasil. Falecido em 29 de março de 2017, em Águas de Lindóia, São Paulo, Brasil.

P1 – Armando Fischer Ferri

P2 – Paulo Fischer Ferri

P3 – José Carlos Fischer Ferri

P4 – Orlei Fischer Ferri

Te3 – Antônia de Godoy Fischer, nascida em 02 de fevereiro de 1940, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 08 de maio de 2014. Casada com Benedito Pelatieri.

P1 – Célia Fischer Pelatieri

Te4 – Irene de Godoy Fischer, nascida em 07 de dezembro de 1942, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Geraldo Barros Leal.

P1 – Juliana Fischer Barros

P2 – Luciana Fischer Barros

P3 – Adriana Fischer Barros

P4 – Maria Fischer Barros

Ti4 – Augusto Aparecido Fischer, nascido em 07 de maio de 1906, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecido em 28 de maio de 1935, em Limeira São Paulo, Brasil.

Ti5 – Mario Aparecido Fischer, nascido em 21 de novembro de 1913, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 13 de junho de 1959, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado em 22 de julho de 1944, em Lindóia, São Paulo, Brasil, com Alvalina de Souza, nascida em 06 de setembro de 1920, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 24 de setembro de 2010, em Águas de Lindóia, São Paulo, Brasil.

Te1 – Sônia Aparecida Fischer, nascida em 15 de maio de 1952, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com José Mario Dizer Renzo.

P1 – Michele Fischer Renzo

Ti6 – Martino Fischer, nascido em 20 de novembro de 1917, em Lindóia, São Paulo, Brasil.

Ti7 – Maria Fischer, nascida em 07 de abril de 1927, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada em 06 de abril de 1951, em Serra Negra, São Paulo, Brasil, com Bellino Felice Baccin, nascido em 25 de agosto de 1927, em Serra Negra, São Paulo, Brasil.

Te1 – Luiz Fernando Fischer Baccin

Te2 – José Eduardo Fischer Baccin

Te3 – Carlos Henrique Fischer Baccin

Te4 – Paulo Roberto Fischer Baccin

Te5 – Maria de Lourdes Fischer Baccin

Te6 – Abrahmo Baccin Neto

Ti8 – Apparecido Fischer, nascido em 11 de fevereiro de 1931, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casado em 30 de janeiro de 1960, em Serra Negra, São Paulo, Brasil, com Thereza Gut Zochio, nascida em 16 de setembro de 1935, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecida em 13 de maio de 2008, em Campinas, São Paulo, Brasil.

Te1 – Henrique Zochio Fischer

Te2 – Heitor Zochio Fischer

Ti9 – Antônia Fischer, nascida em 26 de junho de 1933, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Casada com Vicente Vilano.

Te1 – Marli Villano

Te2 – Ivani Villano

Te3 – Henrique Villano

Ti10 – José do Carmo Fischer, nascido em 03 de junho de 1936, em Lindóia, São Paulo, Brasil. Falecido em 17 de março de 2021, em Valinhos, São Paulo, Brasil.

B5 – José Fischer, nascido em 06 de dezembro de 1877, em Limeira, São Paulo, Brasil.

B6 – Mathias Fischer, nascido em 29 de janeiro de 1879, em Limeira, São Paulo, Brasil.

B7 – Maximiliano Fischer, nascido em 23 de fevereiro de 1881, em Limeira, São Paulo, Brasil.

N2 – Antônio Fischer, nascido em 29 de dezembro de 1852, em Piracicaba, São Paulo Brasil. Falecido em 25 de outubro de 1909, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Casado em 14 de outubro de 1876, em Piracicaba, São Paulo, Brasil, com Josephina Schimidt, nascida em 21 de novembro de 1851, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida em 11 de novembro de 1920.  

Retrato Antonio Fischer Filho
Retrato de Antonio Fischer
Descendentes de Antonio Fischer Filho
Descendentes de Antonio Fischer: 1 – Josephina Schimidt (viúva de Antonio Fischer); 2 – Antonio Fischer Filho, casado com 3 – Isabel Walder; 4 – Alberto Fischer, casado com 5 – Italina Duarte de Campos; 6 – Jacob Walder Filho (irmão de Isabel), casado com 7 – Josephina Fischer; 8 – Elisa Coelho, casada com 9 – João Antonio Fischer; 10 – Carolina Fischer, casada com 11 – João Walder Filho (Acervo Julio Marcos Walder)

N3 – Henrique Fischer Sobrinho, nascido em fevereiro de 1855, em Limeira São Paulo Brasil. Casado em 06 de abril de 1876, com Carolina Anna Knetts, nascida em 30 de abril de 1858, em Campinas, São Paulo, Brasil. Falecida em 1942.

N4 – João Fischer, nascido em 27 de junho de 1856, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Casado em 04 de agosto de 1877, com Caroline Sommer, nascida em 24 de maio de 1856, na Alemanha.

N5 – Sebastião Fischer, nascido em 22 de dezembro de 1859, em Limeira, São Paulo, Brasil.

N6 – Bárbara Fischer, nascida em 23 de abril de 1862, em Limeira, São Paulo, Brasil. Casada em 04 de setembro de 1880, em Piracicaba, São Paulo, Brasil, com Andre Hemblent.

F2 – Johann Jacob Fischer (João Arthur Fischer), nascido em 1825, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Casado com Elizabeth (Izabel) Rupp, nascida em 15 de abril de 1850, em Limeira, São Paulo, Brasil. Falecida em 02 de setembro de 1879, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Casado com Filipina Rupp, nascida em 10 de fevereiro de 1839, na Baviera, Alemanha.

F3 – Johann Martin Fischer (João Martinho Fischer), nascido em 27 de setembro de 1829, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Falecido em 20 de fevereiro de 1912, em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Casado em 20 de setembro de 1851, em Limeira, São Paulo, Brasil, com Maria Magdalena Hilsdorf, nascida em 1832, na Alemanha. Falecida em 04 de fevereiro de 1913, em Piracicaba, São Paulo, Brasil.

F4 – Friederich Fischer (Frederico Fischer), nascido em 02 de novembro de 1831, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Casado com Barbara Himmelsjohn, nascida em 1833, na Alemanha. Falecida em junho de 1873, em Piracicaba, São Paulo, Brasil.

Sentados Frederico Fischer e sua mãe Catharina Stumpf. Atrás em pé a esposa Barbara Fischer e a irmã Catharina Fischer
Sentados Frederico Fischer e sua mãe Catharina Stumpf. Atrás em pé a esposa Barbara Fischer e a irmã Catharina Fischer (Acervo Washington Marcondes Ferreira)

F5 – Heinrich Fischer (Henrique Fischer), nascido em 13 de julho de 1834, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha.

F6 – Catharina Philipina Fischer, nascida em 09 de maio de 1837, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Falecida em 16 de dezembro de 1892, em Campinas, São Paulo, Brasil. Casada em 14 de maio de 1864, em Limeira, São Paulo, Brasil, com João Carlos Augusto Sarb, nascido em 30 de agosto de 1829, em Hamburgo, Alemanha. Casada com Diedrich Heinrich Wilhelm Hüsemann, nascido em 1833, em Vestfália, na Alemanha. Falecido em 23 de fevereiro de 1885, em Campinas, São Paulo, Brasil.

Retrato Catharina Fischer
Retrato de Catharina Fischer (Acervo Washington Marcondes Ferreira)

F7 – Philipp Fischer (Felipe Fischer), nascido em 1843, em Flonheim, Alzey-Worms, Renânia-Palatinado, Alemanha. Casado em 10 de maio de 1873, em Piracicaba, São Paulo, Brasil, com Catharina Strohband, nascida em 13 de setembro de 1839, em Darmstadt, Alemanha.

Henrique Fischer, três esposas e uma grande família

Henrique Fischer, quarto filho do casal Martinho Fischer e Maria Dupre, nasceu em Constituição, atual Piracicaba, São Paulo, em 12 de maio de 1874. Ele foi batizado na igreja católica, na Matriz de Santo Antônio, em Piracicaba, no dia 23 de maio de 1874. Foram padrinhos seus tios Henrique Fischer e Bárbara Fischer.

Assento de batismos de Henrique Fischer
Assento de batismos de Henrique Fischer

Transcrição: Aos vinte e três de maio de mil oitocentos de setenta e quatro, nesta matriz, batizei e pus os santos olhos em Henrique, nascido no dia dose do corrente mês, filho de Martinho Fischer e Maria Dupre. Foram padrinhos Henrique Fischer e Barbara Fischer.

Aos 22 anos, em 24 de dezembro de 1896, Henrique casou-se com sua primeira esposa, Zulmira Evangelista, ela com 15 anos, na igreja católica, Matriz de Nossa Senhora das Dores, em Limeira, São Paulo. Foram testemunhas Zeferino Guimarães e Martinho Fischer.

Assento de casamento de Henrique Fischer e Zulmira Evangelista
Assento de casamento de Henrique Fischer e Zulmira Evangelista

Transcrição: Aos vinte e quatro de dezembro de 1896, na Matriz de Limeira, perante mim e das testemunhas abaixo mencionadas, depois de proclamados, receberam-se em santo matrimônio, Henrique Fischer e Zulmira Evangelista, ele em idade de vinte e dois anos, natural de Piracicaba, filho legítimo de Martinho Fischer e Maria Dupre; e ela em idade de quinze anos, filha legítima de João Evangelista, falecido, e de Maria Rosa Evangelista, natural de Limeira. Foram testemunhas Zeferina Guimarães e Martinho Fischer.

Filha de João Evangelista e Maria Rosa Evangelista, Zulmira nasceu em Limeira, São Paulo, em 20 de outubro de 1881. Ela faleceu jovem, vítima da tuberculose, em 14 de setembro de 1906, aos 24 anos, em Limeira, São Paulo, onde foi sepultada no cemitério municipal.

Registro de óbito de Zulmira Evangelista
Registro de óbito de Zulmira Evangelista

Henrique e Zulmira tiveram 4 filhos, são eles:

Dorvalina Fischer (1898-1932)

Cyra Fischer (1901-1942)

Armando Fischer (1903-1951)

Augusto Aparecido Fischer (1906-1935)

Os filhos de Henrique e Zulmira lhes deram 10 netos e dezenas de bisnetos, trinetos, tetranetos e pentanetos que povoaram a região de Lindóia, São Paulo e se espalharam pelo Brasil.

Seis anos após a morte da primeira esposa, o viúvo Henrique Fischer, agora com 37 anos, casou-se novamente, em 30 de novembro de 1912. Desta vez com Odila Evangelista, de 21 anos, curiosamente sobrinha de Zulmira Evangelista, a primeira esposa falecida. Foram testemunhas Antonio Oliveira e José Piessotti.

Assento de casamento de Henrique Fischer e Odila Evangelista
Assento de casamento de Henrique Fischer e Odila Evangelista

Transcrição: Aos trinta de novembro de 1912, nesta matriz de Limeira, depois de proclamados e não havendo impedimento algum, na minha presença e das testemunhas abaixo assinadas, receberam-se em matrimônio, Henrique Fischer e Odila Evangelista. Ele viúvo de Zulmira Evangelista, com 37 anos, natural de Piracicaba; ela solteira, natural de Limeira, com 21 anos de idade, filha legítima de João Evangelista Filho e de Albertina Evangelista, todos fregueses desta paróquia. Nada mais consta, faço o presente assento.

Filha de João Evangelista Filho e Albertina Evangelista, Odila nasceu em 1891, em Limeira, São Paulo. Cerca de um ano após o matrimônio, em 1913, Henrique e Odila mudaram-se de Limeira com os filhos de Henrique e Zulmira. O casal e as crianças teriam passado brevemente por Itapira e depois se fixaram em Lindóia, São Paulo. Segundo histórias contadas por familiares, a mudança de cidade teria sido motivada por questões de herança e desentendimento entre os herdeiros de Martinho Fischer, pai de Henrique, que faleceu em agosto de 1913.

Na nova cidade, o casal teve 2 filhos, são eles:

Mário Aparecido Fischer (1913-1959)

Martino Fischer (1917-?)

Os filhos de Henrique e Odila lhes deram uma única neta, alguns bisnetos e trinetos, descendentes de Mário Fischer.

Sobre Martino Fischer não foi encontrado registro de óbito, casamento ou nascimento de filhos, o que leva a crer que ele possa ter falecido ainda criança e não deixou descendentes.

Não encontramos ainda o registro de óbito de Odila, mas tudo leva a crer que ela faleceu após o nascimento do segundo filho, Martino, em Lindóia, São Paulo.

Com a morte de Odila, Henrique, aos 50 anos, casou-se pela terceira vez, por volta de 1924, em Lindóia, São Paulo. A nova esposa, Faustina Maria de Jesus, tinha 20 anos.

Faustina era natural de Campo Místico, atual Bueno Brandão, Minas Gerais. Filha de Joaquim Francisco de Figueiredo e Francisca Maria de Jesus, ela nasceu em 28 de setembro de 1904.

Batismo de Faustina Maria de Jesus
Batismo de Faustina Maria de Jesus

O casal teve 4 filhos, ainda vivos em 2020, são eles:

Maria Fischer (1927)

Aparecido Fischer (1931)

Antonia Fischer (1933)

José do Carmos Fischer (1936)

Uma curiosidade sobre Henrique Fischer é que, por ele ter se casado três vezes em um intervalo de quase 40 anos, os filhos de Henrique Fischer, frutos do último relacionamento, com Faustina, tinham a mesma idade ou eram até mais jovens que alguns de seus primeiros netos.

Em Lindóia, São Paulo, Henrique Fischer morava com sua família no Largo da Matriz, nº 05. Ele era uma figura conhecida dos moradores da pequena cidade do interior paulista. Eletricista, ele trabalhava em uma usina hidrelétrica, chamada Usina das Cotas, que gerava energia para o município.

Apesar de não ser natural da Alemanha, mas ser descendente, ele era conhecido como Alemão pelos moradores. No fim da vida, talvez já sofrendo de alguma demência, ele era frequentemente visto andando pelas ruas da cidade e falando sozinho.

Retrato Henrique Fischer
Retrato Henrique Fischer

Henrique Fischer faleceu em 18 de março de 1939, aos 64 anos, vítima de hemorragia cerebral, em Lindóia, São Paulo, onde foi sepultado no cemitério municipal da cidade. Sem posses, ele não deixou herança, apenas lembranças e uma grande família.

Registro de óbito de Henrique Fischer
Registro de óbito de Henrique Fischer

Após a morte de Henrique, Faustina de Jesus mudou-se para a cidade de Serra Negra, São Paulo. Ela contava que havia colocado os filhos dentro de jacás, presos no lombo de um burro, e pegaram estrada. Em Serra Negra ela se casou novamente, em 21 de junho de 1947, com o viúvo José Franco de Godoi, ele também já tinha filhos de outro relacionamento. Deste casamento entre Faustina e José não houve filhos.

Reprodução da ida de Faustina e os filhos de Lindóia para Serra Negra
Reprodução da ida de Faustina e os filhos de Lindóia para Serra Negra

Os filhos de Faustina e Henrique cresceram e estudaram. Maria e Aparecido casaram-se em Serra Negra e mais tarde se transferiram com a mãe para Campinas; José, solteiro, seguiu com eles para Campinas. Antônia foi para São Paulo, trabalhar como doméstica. Naquela cidade acabou se casando com Vicente Villano, um filho de seu empregador.

Em Campinas a “noninha”, como Faustina era carinhosamente chamada, morava com sua filha Maria. Ao falecer, em 15 de agosto de 1999, aos 95 anos, Faustina deixou os quatro filhos, 12 netos e pelo menos 19 bisnetos.

*Colaborou com informações sobre Faustina seus netos Henrique Fischer e Heitor Fischer